No Rio de Janeiro, educação paga pela crise

Segundo sindicato de professores, 130 turmas foram fechadas. Secretaria de Educação não divulga número nem quais escolas passaram pelo que chamou de “enturmamento”

Imagine chegar na sua sala de aula, encontrá-la vazia e só assim descobrir que sua turma não existe mais. A situação aconteceu com diversos estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro em junho. Só não é possível saber com quantos pois a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) se recusou a divulgar o número de turmas fechadas e quais unidades passaram pelo processo, que chamou de “enturmamento”.

Para estudantes e professores, trata-se de economia, desrespeito e prejuízo na qualidade da educação pública. Não é segredo para ninguém que as contas públicas do estado passam por graves dificuldades e que servidores, inclusive professores, acumulam salários atrasados.

Isabela Queiroz, da Associação Municipal de Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AMES-RJ), diz que a “reorganização” das escolas está acontecendo há algum tempo na gestão do secretário Wagner Victer.

“Mas não sabemos exatamente há quanto tempo e nem em quantas escolas, pois está sendo feito na surdina, de forma completamente unilateral”, completou.

Ela participou de uma audiência pública sobre o assunto na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, na última quarta (28), mas as informações continuam nebulosas mesmo após o encontro da comissão de educação. [A imagem acima foi registrada durante a audiência.] A AMES estima 13 mil matrículas alteradas e o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) fala em 130 turmas fechadas.

Segundo uma nota da Seeduc, algumas turmas teriam sido unidas, sim, mas somente as que estavam com menos de 20 estudantes. Garante ainda que as mudanças das matrículas serão para o mesmo turno e mesmo bairro. As informações são contestadas por jovens e profissionais. Além disso, foram descumpridos acordos básicos feitos com professores após greve do ano passado. Por exemplo, mudanças de matrícula só poderiam ser feitas no primeiro bimestre. Outra: cada professor deveria poder cumprir toda a sua carga horária em um mesmo colégio, o que fica inviável com as alterações, dizem. O quadro de aulas do segundo semestre ainda não foi apresentado.

“A secretaria quer economizar na educação. Junta alunos, fecha turmas no meio do ano. A gente tem se perguntado se o governador e o secretário aceitariam que a escola dos filhos deles tivessem turmas fechadas no meio do ano”, indaga Marta de Moraes, da coordenação do Sepe.