Machismo não combina com Educação

Estudantes e convidadas presentes no Encontro de Mulheres Estudantes (EME) da UBES discutiram outro modelo de ensino que promova a igualdade de gênero

As escolas brasileiras estão passando por uma transformação nos últimos anos. Cada vez mais alunas têm questionado o modelo de preconceitos e opressões no ambiente escolar contra as mulheres e as formas de mudar esse cenário. Construir uma educação sem machismo foi o desejo expresso por todas as convidadas da das última mesas do Encontro de Mulheres Estudantes (EME) da UBES já na noite desta quinta-feira, sete de setembro, na Faculdade Zumbi dos Palmares em São Paulo.

Para a presidenta da UBES, Camila Lanes, a escola ainda é um espaço de forte discriminação, mas isso tem começado a mudar com a participação política cada vez maior das jovens no movimento estudantil e em outras formas de organização coletiva. “As meninas foram as maiores lideranças das ocupações escolares no último período, isso demonstra como não queremos mais ficar caladas e não queremos deixar as coisas como estão”, diz.

A partir das ocupações e da luta das estudantes, as ocupações tornaram-se a maior ação de resistência ao governo Temer após o golpe que retirou ilegitimamente a primeira mulher presidenta do Brasil do poder. Esse simbolismo foi lembrado pela deputada federal Erica Kokay (PT-DF), uma das participantes da mesa. Segundo ela, as propostas de censura e cerceamento de temas como o feminismo na escola, – representadas em projetos como a Escola Sem Partido – refletem o medo que os conservadores têm dessa geração.
“Eles não querem que as mulheres cresçam, sejam donas de si. Não querem que sejamos donos dos nossos corpos e das nossas falas. Quando lutamos pelas mulheres, lutamos contra a desumanização que querem nos impor”, disse. Segundo ela, todas as lutas da juventude e dos movimentos de mulheres no momento devem passar fundamentalmente pelo protesto contra o golpe no Brasil e a oposição ao governo ilegítimo de Michel Temer.

A ex-presidenta da UNE Carina Vitral, que tem sido uma das principais mulheres jovens na liderança dos movimentos sociais recentemente, também criticou o projeto do Escola Sem Partido e defendeu o debate cada vez maior contra o machismo no ambiente escolar: “Nós acreditamos é em uma escola plural, com conhecimentos diverso. Quem inaugurou a resistência a esse governo foram as estudantes e não é agora que vão nos calar”, bradou.

O 4º Encontro de Mulheres Estudantes (EME) da UBES reuniu 300 meninas das escolas de todos os estados do Brasil. As atividades secundaristas continuam nesta sexta e sábado com o Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da UBES, que vai discutir a ação dos estudantes nos próximos meses e convocar o próximo Congresso da UBES, que deverá acontecer no final do ano.

Fotos: Yuri Salvador