#GrevePorDireitos: Quem está nas ruas contra as reformas

Secundaristas fizeram seu papel e marcaram presença na avenida Paulista. Conheça alguns dos personagens que ajudaram a construir a mobilização em São Paulo

O dia 30 de junho de 2017 já entrou para a história do país como mais um dos momentos de luta em que o povo ocupou as ruas e disse não às ”deformas” do governo ilegítimo. Em São Paulo, milhares se reuniram na Avenida Paulista contra as reformas da previdência, trabalhista e o desmonte da educação.

A estudante de Arquitetura da Universidade Anhembi Morumbi Jamille Nascimento se diz preocupada com os imapactos das reformas para as futuras gerações. ”As reformas trabalhista e da previdência vão prejudicar e muito a minha geração e todos os futuros trabalhadores. Eu acredito que sair às ruas e lutar é a melhor forma de colocar pressão e conseguir impedir a retirada de direitos”, falou.

Evelyn Gonzales, estudante de Letras da Universidade de São Paulo (USP), concorda. ”Temos que construir mobilizações para dialogar com as massas. A união da juventude e da classe trabalhadora é a única saída para enfrentarmos essa crise e barrarmos os retrocessos”, avaliou.

Pela primeira vez em uma manifestação, Fábio Barros, mestrando em Direito na Universidade Nove de Julho (Uninove) sente-se esperançoso ao ver o povo tomando as ruas.

”O governo Temer só vai contra a vontade popular, fazendo todo o tipo de reforma que ninguém quer, e, embora grande parte das pessoas pareça inerte a isso, ver esse tanto de gente reagindo, aqui, na rua, dá uma esperança maior”, disse.

Fábio Barros, da Uninove: "Ver esse tanto de gente reagindo, aqui, na rua, dá uma esperança maior"

Fábio Barros, da Uninove: “Ver esse tanto de gente reagindo, aqui, na rua, dá uma esperança maior”

Secundas em luta

Estudantes de Ensino Médio de diversos lugares e realidades também compareceram em peso na avenida Paulista. Guilherme Tenório e Sara Silva, por exemplo, enfrentaram uma hora e meia de ônibus vindo de Guarulhos e estavam animados, atrás do carro de som. “Precisamos vir para acompanhar as coisas de perto, criar consciência, saber das coisas além do que os jornais dizem”, explicou ele. Sara estuda no cursinho comunitário Pimentas, que ajudou a organizar a participação dos jovens no ato, apesar da distância entre o Jardim Pimentas e o Masp.

Jovens enfrentaram uma hora e meia de ônibus vindos do Jardim Pimenta, em Guarulhos

Jovens enfrentaram uma hora e meia de ônibus vindos do Jardim Pimenta, em Guarulhos

Gabriel dos Santos, de Carapicuíba

Gabriel dos Santos, de Carapicuíba

“Quando você vem em um ato pela primeira vez, sabe que esse é o seu lugar, se você quer um país mais justo”, diz Gabriel Rodrigues dos Santos.

Ele é experiente em manifestações, mesmo tendo 16 anos e morando e estudando em Carapicuíba, cidade próxima a São Paulo. “Para vir até a Paulista eu pego ônibus, trem, tudo com meu dinheiro, pois vale à pena estar aqui lutando contra os retrocessos. Queremos um governo legítimo e popular”, explica. Além de frequentar as aulas na Escola Estadual Dona Maria Alice Crissiuma Mesquita, Gabriel participa da União Paulista de Estudantes Secundaristas e costuma vender doces no trem para completar a renda da família de oito irmãos.

Já Marcelo Muniz é estudante de um colégio particular em São Paulo, o São Domingos, e também acredita na mobilização popular: “É importante a ação dos secundaristas, pois quanto mais gente estiver nas ruas, melhor. Sugiro que outros jovens acompanhem o que está acontecendo na política, se informem, e venham para a rua”.

Marcelo Muniz, do colégio São Domingos, em São Paulo

Marcelo Muniz, do colégio São Domingos, em São Paulo

Para Camila Lanes, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, esta participação é fundamental.

“Estamos sofrendo muitos ataques. Esta semana mesmo o governo federal propôs tirar 100 milhões da Educação para regularizar a emissão de passaportes. Esse é o tipo de pensamento que tem orientado as ações do governo, como a própria reforma do Ensino Médio. Não adianta achar que as coisas mudam só reclamando, temos que ocupar nosso espaço, este é o nosso papel”, finaliza.

Por Natália Pesciotta e Renata Bars, de São Paulo