Eu amo baile funk: ritmo tem espaço no 42º CONUBES

MC Pocahontas, Imperadores da Dança, Liga do Funk e DJ Grandmaster Raphael estão afinados com a juventude do Congresso da UBES

Raphael viu o funk brasileiro nascer, nos anos 1980. Desde então ele é o DJ Grandmaster Raphael, comandante do Eu Amo Baile Funk, atividade cultural que chega ao 42º Congresso da UBES nesta quinta (30/11). O baile carioca para  estudantes de todo o Brasil conta com MC Pocahontas e dançarinos de passinho do Imperadores da Dança.

Apesar do preconceito que sofre por parte da sociedade, o ritmo nacional é sucesso entre a juventude. Sempre foi assim, diz o DJ experiente que tocará para milhares de secundaristas. “Tem a ver com o clima de liberdade, enfrentar a repressão, poder fazer o que quer”, relata.

Bruno Ramos, outro convidado do 42º CONUBES, também destaca a influência do gênero musical para a juventude. O artista da Liga do Funk estará na mesa “O Circuito de Cultura Secundarista-CIRCUS, a meia-entrada e uma política de cultura” também nesta quinta, e vê o batidão como ferramenta de empoderamento:

“É uma linguagem que fala diretamente com os jovens, que representa o que eles sentem e vivem. O funk é essa representatividade periférica e pode ser instrumento de potencializar os jovens.”

Descriminalizar o funk

Em setembro, o Senado brasileiro discutiu a sugestão legislativa 17/2017, que tentava tornar o funk um “crime à saúde pública de crianças, adolescentes e à família”.

Não é uma novidade na história o preconceito contra o ritmo. “Assim como aconteceu com o samba, com o hip hop e com a capoeira, todas as manifestações de origem negra sofrem perseguição”, explica Bruno.

Ele vê o movimento como uma forma de entretenimento e distração onde não existe lazer. Se, muitas vezes, as letras apresentam machismo e homofobia, a responsabilidade não pode ser apenas da expressão cultural:

“O funk é o reflexo do que a sociedade vive e pensa. A vulnerabilidade dos jovens nas ruas não é responsabilidade do movimento funk. É muito fácil empurrar essa sujeira para debaixo do nosso tapete, excluindo a responsabilidade do poder público”.

Maneirão

O DJ Grandmaster Raphael concorda. “O funk gera violência ou a sociedade é violenta?”, questiona. Ele sempre viu os bailes como espaços muito democráticos.

“Nos anos 1990, já tinha muitos grupos de homossexuais dentro do movimento se expressando livremente. Não tem distinção de cor, classe social”, conta.

Ele está animado para a festa Eu Amo Baile Funk no CONUBES: “Já toquei em uma Bienal da UNE, no Rio, e ver gente de todo Brasil curtindo nossa cultura é maneirão”, celebra.

O Congresso da UBES segue até o dia 2 de dezembro, na Praça Universitária e na Arena Goiânia. Acompanhe ao vivo pelo Facebook da UBES.

Marca aí:

O quê: Mesa Circuito de Cultura Secundarista-CIRCUS, a meia-entrada e uma política de cultura, com Bruno Ramos e outros
Quando: Quinta (30/11), às 15h
Onde: Espaço Circus, na Praça Universitária – Goiânia (GO)

O quê: Eu Amo Baile Funk com Pocahontas e Imperadores da Dança
Quando: Quinta (30/11) às 22h
Onde: Praça Universitária, Goiânia (GO)