Estudantes lutam para reativar União Caxiense dos Estudantes Secundaristas

Lideranças de quatro escolas querem a volta das atividades da entidade

Poucas organizações chegam aos 65 anos de vida em plena atividade, o que não é o caso da União Caxiense dos Estudantes Secundaristas (Uces). A entidade, fundada em maio de 1952, está desativada desde 2013. São quatro anos sem funcionamento, sem comando.

Mas, se depender de uma gurizada, a Uces voltará com tudo ainda neste ano. Lideranças estudantis de quatro escolas de Caxias do Sul organizam para este sábado uma assembleia para discutir a reativação da entidade. A ideia desses alunos é já aprovar a convocação de eleições e o regimento eleitoral para o pleito.

— A Uces é muito importante. Cada escola tem seu grêmio estudantil, mas eles não conseguem ter uma visão geral do todo — defende Geórgia Velasco, 17 anos, estudante do 3º ano no Instituto Federal de Educação (IFRS).

A necessidade de uma organização que represente os grêmios também é destacada por Eduardo Matias, 16 anos. Presidente do grêmio estudantil da Escola Melvin Jones e aluno do 2º ano do ensino médio, ele acredita que a Uces pode fortalecer a atuação estudantil dentro das escolas.

— É vista a necessidade de representatividade, de alguém (uma entidade) que ouça e resolva as demandas dos estudantes — acrescenta Matias.

Maioria estava nas ocupações

A maioria dos estudantes envolvidos na reativação da Uces participou das ocupações dos colégios em Caxias em 2016. Júlia Carolina da Silva Ferreira, 18 anos, do 3º ano do Colégio Apolinário, é uma delas. Então presidente do grêmio, ela liderou a manifestação que durou quase um mês na escola e pedia soluções para a falta de professores e servidores até problemas como infestação de ratos.

— As ocupações trouxeram mais gente e a galera viu as conquistas que tivemos — diz.

Além de representar a possibilidade de avanços nas escolas, os estudantes acreditam que a entidade pode contribuir para uma saída para a crise política. O aluno do 2º ano e presidente do Grêmio do São Caetano, Leonardo Kissel, 16 anos, acredita na importância da organização:

— Falta união, e a Uces une os grêmios. Sentimos falta de uma entidade maior.

Entidade paralisada há quatro anos

A União Caxiense dos Estudantes Secundaristas, a Uces, está desativada há quatro anos, desde que a Justiça suspendeu a eleição da comissão provisória eleita em agosto de 2012.

Aquela direção alterou o estatuto, transformando a Uces em uma entidade de representação de estudantes de todos os níveis, e não apenas dos secundaristas. Havia suspeita também de desvio de dinheiro na confecção das carteirinhas estudantis.

Pela Uces, passaram diversas figuras conhecidas em Caxias do Sul, como o advogado Marcus Gravina, o dentista José Carlos Bertotto, o ex-vereador Vitor Hugo Gomes e o candidato a prefeito em 2012, Luis Fernando Possamai.

— É triste ver que a Uces está desativada, mas vejo com bons olhos esse movimento de querer reativá-la. Me parece importante, principalmente pelo momento que passa o país. O movimento estudantil é importante para mobilizar a sociedade. A juventude é que vai mudar esse país — entende Possamai, 60 anos, que presidiu a Uces entre 1974 e 1975.

Serviço

O que:
assembleia da Uces.
Quando: sábado, às 14h.
Onde: Câmara de Vereadores.
Quem pode participar: estudantes dos ensinos fundamental, médio e técnico das escolas públicas e privadas.

Via: Juliana Bevilaqua/Pioneiro Online