Estudantes ensinam que é possível romper com o machismo

É o que disseram participantes de mesa sobre gênero no 1º Encontro LGBT da UBES

O que é gênero? A mesa sobre esse tema, realizada nesta segunda-feira (30), durante o 1º Encontro LGBT da UBES, na Universidade Federal do Ceará, começou com esta pergunta. Segundo os participantes e estudantes presentes, é muito “limitador” que a sociedade – e a escola também! – definam que haja determinados comportamentos e atividades para meninas e outros para meninos.

“É perverso porque somos conduzidas ao longo dos séculos a ter apenas funções de cuidadoras – professoras, cozinheiras, babás, donas de casa – mas é perverso até com os homens, que acham que não podem chorar, por exemplo”, explicou Silvinha Cavalleire, vice-presidente da União Nacional LGBT.

Claudiane Lopes, do Movimento Olga Benário, vai além: “Ter que conquistar mulheres, ser garanhão e sedutor são consideradas coisas de homem. Muitas vezes esse discurso incita até as violências físicas, estupros e feminicídios”.

“O movimento que eu faço tem mulher em todos os espaços”

Segundo Claudiane, as ocupações de escolas em 2016 foram o grande exemplo recente de como romper com a lógica, com muitas garotas à frente das ocupações e em postos de comando nas entidades: “O movimento mostra para a sociedade que não basta para mulheres poderem participar. Elas podem comandar também”.

Fotos: Marcelo Rocha/ Mídia NINJA

Fotos: Marcelo Rocha/ Mídia NINJA

O pioneirismo também foi ressaltado por Camila Silveira, que hoje é coordenadora de Políticas para as Mulheres do Governo do Ceará, mas que já fez parte do movimento estudantil, quando adolescente: “Como garota da periferia, minhas perspectivas eram apenas engravidar ou casar. Isso mudou graças ao movimento estudantil. Naquele tempo, porém, nós mulheres podíamos participar, mas não tínhamos cargos de direção. Estou muito feliz de ver como o movimento percebe rápido as necessidades e tem sido pioneiro nesta mudança social, inclusive tendo uma presidenta na UBES”.

Os estudantes cantavam em coro: “O movimento que eu faço / Tem mulher em todos os espaços”.

Secundaristas que se inscreveram para participar do debate falaram sobre suas experiências em escolas ocupadas: “Muitos meninos lavaram um banheiro ou uma louça pela primeira vez na vida. Serviu para aprender muito sobre igualdade”, contou Henrique, da União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal. Outros ressaltaram ainda a importância de levar este aprendizado para novos espaços e não esquecer das periferias.

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Fotos: Marcelo Rocha/ Mídia NINJA

Responsabilidades

Janaína Oliveira, da Rede Afro LGBT, pontuou ainda a importância de se pensar nas particularidades dos diferentes nichos de mulheres sobre feminismo: “É preciso separar em caixinhas. Temos que pensar nas dificuldades específicas das mulheres negras”.

E lembrou que, apesar de oprimida, a mulher costuma ser considerada responsável pelo machismo: “Sempre perguntam ‘Onde estava a mãe dessa menina?’ ou dizem que ‘a culpa do machismo é das mulheres, pois elas que educam os filhos’”. A ativista concluiu, aplaudida: “Já passou da hora de entendermos que o debate é obrigação de toda a sociedade”.

Por Natália Pesciotta, de Fortaleza