“Escola Sem Partido” é tema de debate no 16º Coneg

“Além de lutar contra esse projeto, precisamos estudar mais para assumir uma postura mais ofensiva”, aconselhou o doutor em Ciência Política Josué Medeiros,convidado do evento

A mesa “Escola Sem Partido vs Gestão Democrática” lotou o auditório da Faculdade zumbi dos Palmares em São Paulo nesta sexta (8) durante o Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da UBES. Com falas acaloradas dos debatedores e secundaristas, o debate teve a mediação da presidenta da UBES Camila Lanes.

No ponto central da discussão esteve a reflexão sobre o papel do professor, que deve ser visto como alguém que apresente uma realidade crítica e equilibrada da sociedade e não apenas como uma máquina de transmitir informação.O projeto da Escola Sem Partido ignora a relação entre professor e aluno e desconsidera a individualidade do estudante e sua capacidade de questionar e de refletir sobre a realidade que o cerca.

“Precisamos entender melhor essas questões e estudar cada vez mais o assunto para nos posicionar de forma ofensiva nesse tema”, aconselhou Josué Medeiros, doutor em Ciência Política e professor da UFRJ.

O projeto Escola Sem Partido foi idealizado em 2004, pelo advogado Carlos Nagib, sob o argumento de se combater a “doutrinação política”. Nagib foi convidado a participar da mesa, para defender os argumentos para a implementação do projeto, mas não retornou a nenhuma tentativa de contato realizada pela UBES.

Fernando Penna, professor da Universidade Federal Fluminense afirmou que, antes de qualquer coisa, é necessário problematizar o nome dado ao projeto, que leva todos a acreditarem que foi criado com boas intenções com relação à educação, mas que na verdade se resume à escola de um partido só. Além de perseguir os grêmios e entidades estudantis, criminalizando quaisquer organizações de estudantes e o movimento estudantil, o projeto quer impedir de forma conservadora a discussão plural e as reflexões sobre diversidade na sala de aula.

Outro ponto importante contra o projeto é que, além de se tratar de duas ações diretas de inconstitucionalidade,, ele censura o professor e impede que alguns assuntos sejam debatidos de forma ampla e aberta, desvalorizando ainda mais a profissão do professor no Brasil.

Após a fala dos convidados, houve pronunciamentos de estudantes secundaristas de todo Brasil, que convocaram todos os presentes para continuarem unidos, lutando contra a “Lei da Mordaça” e ocupando as ruas e as escolas em busca de uma educação democrática e plural.

Por Anna Horta, de São Paulo

Foto destaque: Yuri Salvador.