Entre no clima do Ceará, estado que recebe o 3º ENG

Lideranças do movimento estudantil no estado falam sobre a identidade alegre e vocação para resistência do povo cearense

Além de interagir em debates e atividades com jovens de todo o Brasil, os estudantes que participam do Encontro Nacional de Grêmios (ENG) têm oportunidade de conhecer e conviver com uma cultura particular do Brasil. Quem for para Fortaleza, que recebe a terceira edição do evento entre 30 de janeiro e 1º de fevereiro, encontrará um povo acolhedor e bem-humorado, mas sempre pronto para luta e resistência. É o que dizem sobre os cearenses os líderes estudantis naturais do estado.

“Fazemos piada de tudo!”, avisa Vanessa Oliveira, vice-presidente regional da Ubes no Ceará. Ela define o seu povo como “muito acolhedor, alegre e humorista”. Não é à toa que o ator Chico Anysio nasceu no estado ou que Fortaleza tenha muitas casas de espetáculos humorísticos.

Willamy Macedo, presidente da Associação Cearense dos Estudantes Secundaristas (ACES), concorda sobre a alegria e despojamento: “A receptividade e a vontade de interagir com todo mundo são as características aqui. Além de que falamos muito!”.

Gentilândia

O nome de um dos principais pontos de encontro de jovens na cidade, a pracinha da Gentilândia, já parece denunciar o bom humor dos habitantes de Fortaleza. O lugar, que na verdade foi batizado em referência ao sobrenome Gentil, costuma receber encontros e protestos na capital cearense, no bairro Benfica. “É uma praça muito diversa onde o pessoal costuma se encontrar”, indica Vanessa.

Resistência cearense

Outro dos principais pontos culturais de Fortaleza mostra que se trata de um estado de luta. O Centro Cultural Dragão do Mar, no Centro, leva a alcunha do jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde. Ele foi um herói negro da abolição da escravatura no estado, que decretou o fim da escravidão quatro anos antes do Brasil.

“Os cearenses são de fato um povo muito humorista, mas na hora que o bicho pega e a coisa fica séria, são os mais dispostos a enfrentar os desafios e resistir aos retrocessos”, diz Willamy, que ressalta: “Somos alegres porque transformamos tudo em luta. E a luta tem que ter muita alegria e irreverência, o que não falta aos secundas do Ceará!”.

Pela democracia

O Ceará se destacou na luta pela democracia em 2016. Cerca de 60 escolas foram ocupadas, se mobilizando também pelo passe-livre estudantil e contra o sucateamento da educação. Segundo Willamy, “se deparar com um governo golpista colocou muitos desafios, para conseguir se organizar melhor e chamar mais estudantes para a luta”.

Na região do Cariri cearense, por exemplo, estudantes conseguiram repasses de R$ 32 milhões para reformar os colégios e R$ 6,2 milhões para melhorar a qualidade da merenda.

Muitas manifestações aconteceram na Praça da Bandeira, no Centro de Fortaleza. Até o reitor e o vice-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), que foi ocupada pelos universitários e onde acontecerá o 3º ENG, se pronunciaram em março do ano passado. “Acreditamos que aqueles que fazem a universidade pública brasileira não deixarão de se pronunciar, como cidadãos que compartilham dificuldades comuns, sobre o perene e irrenunciável dever de respeitar a Lei, o Estado de Direito e a Democracia consagrada nas urnas”, disseram Henry Campos e Custódio Almeida, em nota oficial.

O maior campus da UFC será o palco do ENG, no bairro do Pici. Ainda dá tempo de participar. Inscreva-se.

Clique e saiba mais sobre o 3º Encontro Nacional de Grêmios da UBES.