Diversidade marca passeata do 42° CONUBES

Contra ‘Lei da Mordaça’, secundaristas provam que é possível fazer revolução com lacração

Libertação, Luta e Lacração. Uma boa maneira de resumir a passeata do 42° Congresso da UBES é com essas três letras “L”. A manifestação foi um ambiente livre de preconceitos, que reuniu estudantes de todos os cantos do Brasil, com grande unidade, comprovando ser possível unir luta e festa, para colorir esse mundo que está aí.

Foi com dança, música, diversidade, amor e sede por mudança que os secundaristas ocuparam as ruas de Goiânia (GO) para se manifestar contra o projeto ‘Escola Sem Partido’, proposta que busca censurar o conhecimento nas salas de aula, desconsiderando a individualidade do estudante e sua capacidade de questionar e de refletir sobre a realidade que o cerca.

Juventude não é bagunça
A estudante Franciele Lima é baiana e tem energia de sobra. A secundarista espevitada não parava um só minuto, sempre com um largo sorriso estampado no rosto. Ela falou sobre como foi difícil a viagem, mas explicou que cada minuto dentro do ônibus valeu a pena.

“Passamos 40 horas na estrada, a gente come mal, dorme mal e não consegue tomar banho, mas é uma sensação maravilhosa quando a gente está aqui. Muita gente pensa que isso aqui é ‘vagabundagem’, mas com certeza não é. Ninguém viaja por tanto tempo para fazer bagunça, estamos querendo mudar o mundo e isso é importante e muito lindo”, relata.

Franciele Lima e sua alegria contagiante.

Espaço acolhedor e de muito amor
Com apenas 17 anos, Dandara Pedrita saiu do estado do Maranhão para participar do seu primeiro Congresso da entidade. A jovem falou sobre como o espaço é democrático, empoderador e diverso. “Esse é meu primeiro congresso e o sentimento é de uma unidade muito grande. É possível perceber que temos muitos coletivos diferentes, mas todos estão lutando pelo mesmo ideal, o de um país melhor. A energia dos secundaristas é ótima, são jovens entre 14 e 17 anos que assim como eu tem o sonho de mudar a realidade do país”, conta.

Dandara Pedrita à esquerda com amiga.

Representatividade importa, sim
Arthur Namor é um daqueles adolescentes que chama à atenção logo de imediato e gosta disso. O jovem reside em Camaçari na Bahia e fala que utiliza sua aparência como uma forma de fazer revolução. Sua tatuagem no rosto com os dizeres “Sou filho de índio” carrega uma simbologia que ele faz questão de explicar.

“A tatuagem, assim como minha aparência servem para chocar, gosto que as pessoas me parem e perguntem porque eu sou assim, porque uso essas coisas, isso é uma oportunidade para falar sobre a minha cultura , para conscientizar as pessoas”, explica.

“Estou aqui para falar do meu povo que está morrendo e ninguém fala. É bem difícil assistir a tudo isso e ainda perder as nossas terras para as grandes corporações e para os fazendeiros. É triste ver que no Brasil, que é um país indígena, as pessoas não reconhecem o índio. Muitos indígenas tem vergonha de assumirem suas origens, acredito que seja pelo medo do preconceito. Sou índio e tenho muito orgulho”, finaliza.

Arthur Namor e seu estilo peculiar.

O Congresso da UBES segue até este sábado (2), com atividades na Arena Goiânia. Acompanhe ao vivo pela página da UBES no Facebook.

Por Débora Neves, de Goiânia
Fotos: Nilmar Lage e Léo Souza.