Contra o machismo, estudantes se unem em coletivos

Jovens feministas encontram apoio umas nas outras para driblar problemas de gênero nas escolas

Desde a manifestação #VaiTerShortinhoSim, realizada em 2016 pelas estudantes do tradicional colégio Anchieta, em Porto Alegre (RS), a luta das secundaristas contra o machismo tem sido evidenciada no ambiente escolar.

Na ocasião, as gurias do Anchieta questionavam por que as suas vestimentas eram manipuladas como ferramenta de opressão e controle dentro e fora da escola. Com mais de 27 mil assinaturas, o abaixo-assinado organizado em repúdio à proibição das saias e shorts viralizou na internet.

Leia também:
Veja tudo que aconteceu no 4º Encontro de Mulheres Estudantes 

O protesto pouco tinha a ver com o uso das peças, e sim com o que a proibição delas representa. Até hoje, o modelo de educação brasileiro perpetua a ideia de que as meninas devem se prevenir contra os assédios, fazendo-as temer, não usar e se calar, em vez de educar os assediadores.

Mas, se engana quem pensa que as garotas permanecem caladas como permaneceram por tantos anos: agora, elas se organizam em coletivos feministas para driblar regras que reforçam a cultura #patriarcal nas escolas.

 PIQUENIQUE, INTERNET E DEBATES

Levantando a bandeira da #sororidade, os coletivos feministas proporcionam o debate de gênero nas salas de aula. No colégio Pedro II (RJ), por exemplo, a Frente Feminista organiza piqueniques para as meninas compartilharem experiências e dar apoio umas às outras.

A estudante Eduarda Magalhães frequenta os encontros e afirma que o machismo é um problema frequente no colégio: “Nós sofremos assédio dos garotos – e até dos professores –, porém, a maioria é silenciada, já que escândalos podem sujar o nome da instituição”. Além das reuniões, as estudantes também utilizam as redes sociais para se comunicar. A página “Feminismo ¾” tem mais de 130 mil curtidas e denuncia os casos de assédio na escola.

Ilustração: Débora Neves

Ainda sobre assédio nas instituições de ensino, a estudante do IFRN São Gonçalo, Maria Santos, conta que, recentemente, seu professor de matemática disse a uma garota “feche as pernas, sente que nem moça”. A partir da declaração, o coletivo de mulheres promoveu uma semana de conscientização, com debates e distribuição de cartazes feministas pelos corredores do Instituto. Entretanto, apesar da mobilização estudantil, o professor não recebeu nenhuma punição.

 “Nossas escolas precisam corresponder ao nosso tempo. Não voltaremos aos fogões, não deixaremos de ocupar cadeiras nas escolas e disputar vagas nas universidades. Lutamos por uma educação emancipadora e não sexista, e, para isso, precisam existir disciplinas a fim de discutir gênero e sexualidade nas escolas.”

Diretora de Mulheres da UBES, Brisa Bracchi (foto do destaque), sobre o sistema educacional que intensifica #estereótipos e #papéisdegênero

Dê um Google
Estereótipo, Papel de gênero, Patriarcal, Sororidade

Dê um like
Think Olga
Geledés Instituto da Mulher Negra
Agora é que são elas
Não me Khalo
Revista Az Mina

Matéria originalmente publicada no PLUG – set, out e dez/2017
Baixe a última versão do jornal PLUG: