Conheça o projeto de professor finalista do Global Teacher Prize

Depois de concorrer ao “Nobel” de melhor professor do mundo, capixaba fala sobre empolgação dos jovens ao fazer algo transformador, e lamenta que "falta de apoio e condições" impeçam mais atividades como esta

Wemerson Nogueira UBES

Em um país onde professores são pouco valorizados e têm um dos piores salários do mundo, como aponta a Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), um professor brasileiro chega à final do mais reconhecido prêmio concedido à categoria, o Global Teacher Prize.

Mesmo sabendo da baixa remuneração e dos desafios de ser professor no Brasil, Wemerson da Silva Nogueira escolheu a profissão ainda no ensino médio, quando teve oportunidade de ser aluno monitor. Segundo ele, o trabalho voluntário potenciou seu gosto pela docência: “Na sala de aula, eu ajudava meus colegas que tinham dificuldades de aprendizagem, isso despertou em mim o verdadeiro desejo para seguir a carreira”.

Wemerson é mais um dos milhões de brasileiros que saem da escola com o sonho de transformar sua realidade. De família baixa renda, o capixaba cursou química em uma faculdade à distância (EAD), localizada em Santos (SP), a 1.500 km de Boa Esperança (ES), sua cidade natal.

E conseguiu. O jovem professor tornou-se um agente transformador da periferia de Boa Esperança, município próximo às comunidades ribeirinhas afetadas pelo desastre de Mariana (MG).

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Junto a seus alunos do 9º ano da escola Antônio dos Santos Neves, Wemerson desenvolveu o projeto “Filtrando as Lágrimas do Rio Doce”. De acordo com ele, a ideia surgiu a partir do questionamento de um dos adolescentes: “A dúvida do estudante resultou em aplicar uma solução numa região prejudicada pela lama”. O professor também comenta sobre a empolgação dos estudantes ao saberem da proposta:

“Eles estavam ansiosos para sair da sala de aula e ir à beira do rio recolher amostras. Os próprios alunos entenderam a ideia do projeto e abraçaram a causa. Não estávamos ali apenas para aprender química, mas para ajudar uma comunidade que outrora vivia constante sofrimento pela falta d’água”.

Wemerson e estudantes coletam água contaminada para análise no laboratório da escola. Crédito: Diana Abreu/ Nova Escola.

Wemerson e estudantes coletam água contaminada para análise no laboratório da escola. Crédito: Diana Abreu/ Nova Escola.

Durante 4 meses, os estudantes coordenados pelo professor estiveram em constante pesquisa, aplicando conhecimentos da tabela periódica para entender a composição dos elementos que contaminaram as águas do rio. Depois da análise, um filtro foi produzido com areia e pedras; e distribuídos aos moradores ribeirinhos do Rio Doce, devolvendo 75% da qualidade da água para uso diário.

Educação transforma, mas faltam verbas

De acordo com o Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA) do ano passado, os brasileiros estão abaixo da média em leitura, matemática e ciências, matéria ministrada pelo “profe” Wemerson, como muitos o chamam. Para melhorar os resultados, ele sugere que a comunidade escolar deve investir em novos métodos de ensino para despertar o interesse dos jovens.

Apesar de compreender a necessidade dos estudantes, Wemerson vê obstáculos, como a falta de verbas nas escolas públicas:

“A maior dificuldade na docência hoje é a falta de apoio político e de condições de trabalho adequadas. Esses motivos impedem muitos colegas de transformar a vida de seus alunos. Se nossos governantes olhassem para a educação com um pouco mais de seriedade, teríamos um país melhor e menos desigual”.

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Os sonhos do mestre apenas começaram. Agora, Wemerson pretende formar e incentivar professores a desenvolver novos projetos, ainda mais ousados. O professor também deseja concorrer novamente ao Global Teacher Prize para trazer o troféu ao Brasil. Com esperança de melhores oportunidades para as próximas gerações, ele reforça que “uma nação de primeiro mundo deve priorizar a educação”.

Prêmios e carreira

Com 27 anos de idade e cinco na docência, o professor de ciências concorreu ao Global Teacher Prize através um programa social chamado “Jovens Cientistas: Projetando um novo futuro”. Em 2014, ele ganhou o prêmio Boas Práticas na Educação, com o projeto “Karaoquímica: Aprendendo Química com a Arte de Cantar, em 2015 foi ganhador do INOVES, pela proposta “Aula na Rede: Construindo um Novo Ambiente de Aprendizagem”, já em 2016, Nogueira foi escolhido Educador Nota 10, concedido no Brasil, pelo projeto “Filtrando as águas do Rio Doce”.

Aperte o play e assista apresentação do projeto  “Filtrando as Lágrimas do Rio Doce” para o prêmio Educador Nota 10!