Congresso da UNE vai reunir 10 mil em Belo Horizonte

Encontro acontece em junho e, além de ter dezenas de debates e atividades culturais, vai eleger a próxima gestão da UNE

congresso une

A União Nacional dos Estudantes (UNE), que completa 80 anos em 2017,escolheu Belo Horizonte para a realização do seu 55º Congresso, entre os próximos dias 14 e 18 de junho. São esperados pela entidade 10 mil jovens, entre delegados e observadores. As atividades do Congresso ocuparão o campus Pampulha da UFMG, o ginásio do Mineirinho e espaços do centro da capital.

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“Teremos mais um congresso histórico nesta cidade. A UNE já se reuniu aqui em momentos muito difíceis da nossa democracia, como em 1966, em um encontro clandestino dentro de uma igreja e 1977, na tentativa de reconstrução da nossa entidade em meio à ditadura. Além disso, BH recebeu a UNE também em 1999, no início do segundo governo FHC, com a presença de Fidel Castro, inspirando os caminhos da nossa luta naquele momento”, afirma a atual presidenta da UNE Carina Vitral.

O Congresso é um momento caloroso de debate, integração e disputa política entre jovens de todas as ideologias, movimentos e causas do Brasil. Participam da UNE estudantes da esquerda à direita, militantes da política ou da cultura, ativistas ou empreendedores, a juventude do campo e da periferia, movimentos religiosos ou feministas, negras e negros, indígenas e LGBT. A programação incluipasseata, shows e atos políticos.

No total, são mais de 50 debates com centenas de convidados entre autoridades, artistas, intelectuais, representantes dos movimentos sociais e de diversas organizações. Na pauta, temas como a situação política e econômica do país, democracia, direitos humanos, comunicação e meio ambiente. Ao final do Congresso, os estudantes vão definir os rumos da UNE e do movimento estudantil pelos próximos anos, além de votarem e elegerem a próxima diretoria e presidência da entidade.

Movimento estudantil tem história em BH

Em 1966, após o golpe civil-militar que instaurou a ditadura no país e o incêndio da sede da UNE no Rio de Janeiro, os estudantes realizaram um congresso clandestino em Belo Horizonte. O encontro foi realizado de forma completamente escondida nos porões da igreja São Francisco de Chagas, no bairro Carlos Prates. Já em 1977, após a UNE ser extinta pelo governo e na década de maior violência e repressão do regime, os estudantes mineiros enfrentaram os militares com a organização do III Encontro Nacional de Estudantes (ENE). O objetivo era reconstruir a UNE na Faculdade de Medicina da UFMG, mas o movimento foi cercado e centenas de jovens presos pelas forças de segurança. Em 1999, o 46º Congresso da UNE recebeu a visita do líder cubano Fidel Castro, que proferiu discurso histórico para os estudantes no ginásio do Mineirinho.