A Coragem do Movimento Estudantil Secundarista

As ruas, as escolas, as redes e muitos outros espaços foram ocupados pelos estudantes para denunciar o ataque à democracia brasileira por meio de um golpe arquitetado pelo presidente com maior rejeição no mundo

Se um alienígena viesse parar no planeta Terra em qualquer momento de 2016 ou 2017, seria impossível não conhecer duas palavras: “Fora” e “Temer”. A articulação de estudantes e trabalhadores, nas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, foi capaz de revelar os retrocessos do governo ilegítimo que golpeou a democracia em maio de 2016.

Os secundaristas já alertavam, desde o Congresso da UBES de 2015, para os riscos do golpismo que acabaria afastando a presidenta Dilma Rousseff mesmo sem crime de responsabilidade. E não recuaram ao lutar incessantemente contra um projeto neoliberal recusado pelas urnas.

Relembre aqui por que, no futuro, será impossível estudar a história do Brasil recente sem falar da resistência do movimento secundarista.

Linha do Tempo

2015

16 de dezembro
ALERTA GERAL
Estudantes e trabalhadores já estavam atentos ao golpe que viria no ano seguinte.

2016

8 de março
SER MULHER SEM TEMER
Foram elas que tomaram a dianteira e puxaram a articulação contra o golpe em 2016, nos atos de Dia da Mulher.

18 de março
Resistência se espalhava em atos quase diários pelo Brasil.

31 de março
O CORAÇÃO DO BRASIL NO MANÉ GARRINCHA

Jovens de todos os estados enfrentaram horas de ônibus para denunciar em Brasília que o impeachment de Dilma Rousseff é golpe, sim. Além da concentração estudantil no Estádio Mané Garrincha, a Jornada de Lutas pela Democracia teve protestos no Brasil e no mundo.

18 de abril
No dia da primeira votação do impeachment pela Câmara dos Deputados, pelo menos 1,35 milhão de pessoas foram às ruas em 24 estados e no Distrito Federal.

28 de abril
Nas escolas, ruas, redes sociais e universidades, atos mostraram indignação da juventude contra o processo de impeachment em curso.

31 de agosto
LADO CERTO

“Os estudantes têm lado certo na história, por isso que vamos nos manifestar e colocar a rebeldia conseqüente da juventude nas ruas. O governo que tenta tomar o poder é golpista e não nos representa” (Camila Lanes, presidenta da UBES, em protesto no dia da segunda votação do impeachment)

22 de setembro
CONTRA REFORMAS
Dia Nacional de Paralisação: denúncia aos riscos das reformas e da PEC 241 (hoje Emenda Constitucional 95), propostas pelo novo governo ilegítimo.

13 de dezembro
FIM DO MUNDO
Ruas cheias pela aprovação da PEC “do fim do mundo”, que congela verbas da educação por 20 anos.

2017

8 de março
MULHERES NA RUA MAIS UMA VEZ
“Aposentadoria fica, Temer sai” foi o mote dos atos no Dia das Mulheres. Nesta época, uma reforma da previdência elitista e injusta era prioridade do governo Temer.

15 de março
PÃO MURCHO
Brasil amanheceu no clima da música do Criolo “Ferramenta pra Massa”: Hoje eu vou comer pão murcho / Padeiro não foi trabalhar / A cidade tá toda travada / É greve de busão, tô de papo pro ar. Tirando a parte do “papo pro ar”, pois forte mobilização surpreendeu quem não contava com resistência contra desmontes de direitos.

31 de março
MAIORIA CONTRA TEMER
No mesmo dia em que uma pesquisa Ibope divulgou aumento da reprovação do governo Temer para 55%, milhares de brasileiros deram demonstração de luta e esperança nas ruas. Apenas 10% aprovavam o governo, que fazia uma manobra para votar a Reforma Trabalhista em regime de urgência, na Câmara.

28 de abril
MAIOR GREVE
…desde 1989, superando 35 milhões de envolvidos! A data também foi simbólica por representar o centenário da primeira paralisação no Brasil, em 28 de abril de 1917.

24 de maio
BRASÍLIA É NOSSA

Logo depois de denúncias revelarem provas de corrupção contra Michel Temer, o grito de “Diretas Já” tomou as ruas diariamente. Teve o maior “Ocupa Brasília” do ano e entidades estudantis entregaram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, petição com milhares de assinaturas por eleições diretas imediatas.

30 de junho
A AULA HOJE É NA RUA
#GrevePorDireitos teve proporção nacional e mostrou unidade por Diretas Já. “Ouso dizer que a luta pelas Diretas representa o mesmo que em 1984: a esperança de um Brasil democrático e soberano”, comparou na época Fabíola Loguercio, diretora de Comunicação da UBES.

17 de agosto
ESTUDANTES, PRESENTES
Jornada de Lutas
“Na rua em defesa do nosso futuro”, lia-se em faixa pendurada no Ministério da Educação. Não só em Brasília, mas em todos os estados a juventude ocupou as vias para dizer que no Brasil de Temer não cabe a educação pública gratuita e de qualidade com que todas e todos sonham.

Reformas de Temer atacam trabalhadores e aposentados

As reformas defendidas pelo governo ilegítimo não deixam dúvidas sobre o projeto neoliberal encabeçado por Michel Temer. A da previdência, que ficou inviabilizada depois do clamor popular, tentava dificultar o acesso dos trabalhadores à aposentadoria. Sem falar em uma reforma trabalhista que promete novos postos de trabalho, mas que na verdade dará status de emprego formal a bicos mal remunerados e instáveis. A terceirização também foi aprovada pela Câmara dos Deputados, que desengavetou um projeto ultrapassado dos anos 1990, sem segurança nenhuma ao trabalhador.

Originalmente publicado na Revista da Gestão 2015 – 2017.