42º CONUBES inaugura comemorações dos 70 anos da UBES

“A entidade é vista como uma organização que sustenta a esperança de dias melhores para o país”, afirma historiadora

O 42º Congresso da UBES, que começa hoje (29) e vai até 02 de dezembro, em Goiânia (GO), marca o início das comemorações dos 70 anos da entidade, que serão completados em 25 de julho de 2018.

Ao longo destas sete décadas, foram diversas as lutas dos estudantes em defesa do Brasil. A campanha O Petróleo é Nosso, no final da década de 1940; a resistência à Ditadura Militar; a participação na Campanha pelas Diretas Já e pelo impeachment do Collor; e a luta contra o neoliberalismo e as privatizações na década de 1990 são algumas delas.

Para a historiadora, Raisa Marques (que foi também vice-presidente da UBES na gestão 2003-2005 e diretora de comunicação na gestão 2005-2007), embora todas essas lutas sejam marcas importantes na história dos estudantes, a luta pelo passe livre foi uma espécie de embrião da organização do movimento estudantil nacional.

“Foi de uma grande greve estudantil ocorrida no fim da década de 1930 que nasceu a necessidade de organização dos estudantes em entidades nacionais. A campanha pelo passe livre e contra o alto custo do transporte público é para mim o pilar que sustenta o movimento estudantil, entra ano e sai ano vemos notícias de estudantes fazendo manifestações pelo país a fora em busca de acesso ao transporte que consequentemente, dará acesso a educação”, diz Raisa.

Quando a UBES foi criada o ensino no Brasil ainda não era democratizado e sua lenta ampliação dependeu dos interesses políticos em disputa entre os diferentes setores das oligarquias brasileiras, que mantiveram hegemonia de poder sobre a educação durante muito tempo. Desde então, o país passou por profundas transformações frente à questão educacional.

“É certo que em diversas rupturas políticas, econômicas, sociais e educacionais, que marcam os últimos 70 anos do país, as mobilizações dos estudantes, e especificamente, dos estudantes secundaristas foram fundamentais”, explica a historiadora.

Nesta gestão 2015-2017, a luta da UBES em defesa da educação atingiu um novo patamar. As ocupações de mais de mil escolas pelo país contra o Escola sem Partido, a reforma do Ensino Médio e a PEC do Fim do Mundo, foram um marco na história da entidade e do Brasil. “Creio que a UBES tem o papel de aglutinar esses estudantes e organizar as lutas que muitas vezes ficam soltas”, comenta Raisa.

Hoje, essa nova geração, que protagonizou a Primavera Secundarista, tem pela frente a luta contra os retrocessos do governo Temer e o desmonte da educação no Brasil. A gestão dos 70 anos da entidade terá desafios enormes e deverá estar pronta para, mais uma vez, fazer história.

Por Natasha Ramos, de Goiânia