UBES: 67 anos de história na luta em defesa da democracia

Os estudantes são históricos protagonistas da luta por um país mais justo e democrático para todos

Mais uma vez, os estudantes secundaristas protagonizam a luta por ideais democráticos e justos no país. Neste momento tão conturbado da política brasileira, a UBES está nas ruas, nas redes sociais, nas escolas ocupadas e no Congresso Nacional, lutando em defesa da democracia e contra o impeachment ilegítimo que, por meio de um golpe, pretende tirar a presidenta Dilma Rousseff do poder.

E não é de hoje que a entidade se posiciona a favor de um Brasil que assegure os direitos de todas e todos. Há 67 anos, os estudantes secundaristas, por meio da UBES, estão unidos e mobilizados por bandeiras que defendem a educação e a democracia para os brasileiros.

A primeira grande luta da entidade após a sua fundação foi o contra o aumento das taxas escolares, em 1950, que provocou uma greve geral no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1956, no seu 8oº congresso, Helga Hoffman foi eleita a primeira presidenta da UBES, marcando o caráter vanguardista da entidade. No mesmo ano, os secundaristas pararam o Rio de Janeiro, então capital federal, com a célebre Revolta dos Bondes, na luta contra o aumento da tarifa e por mais acesso e qualidade no transporte público.

DITADURA MILITAR

No início da década de 1960, os estudantes tiveram papel central na Campanha pela Legalidade ao transferir a sede das entidades estudantis para Porto Alegre e garantir que João Goulart assumisse a presidência após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Em 1964, a juventude foi uma das principais forças das Reformas de Base conduzidas por Jango, participando do Comício da Central.

Por causa desta projeção nacional, os secundaristas foram violentamente agredidos pelo golpe militar de 1964, que teve, entre suas primeiras ações, o incêndio e fuzilamento da sede dos estudantes na madrugada do dia 1o de abril de 1964. Nos anos de chumbo, a Lei Suplicy de Lacerda coloca a UBES e grêmio estudantis na ilegalidade.

Em 1968, o secundarista Edson Luis foi morto por um tiro de soldado durante uma manifestação estudantil contra o preço do restaurante estudantil do Calabouço, o primeiro estudante assassinado pela repressão. O velório no Rio de Janeiro levou mais de 50 mil pessoas para as ruas e se tornou em um ato de resistência à ditadura, transformando o jovem em um grande símbolo da luta contra a ditadura.

A UBES enfrentou seu momento mais difícil durante a década de 1970, quando todos os seus dirigentes foram obrigados a entrar para a ilegalidade — integrando a luta armada —, fugiram do país, sumiram, foram presos ou mortos. Três secundaristas combateram na Guerrilha do Araguaia. Os estudantes conseguiram resistir se organizando nos chamados centros cívicos nas escolas do país.

REDEMOCRATIZAÇÃO: DAS DIRETAS JÁ AO FORA COLLOR

Em 1984, os secundaristas já eram a linha de frente da campanha pelas Diretas Já! nas ruas do país. Apesar da derrota da emenda Dante de Oliveira no Congresso Nacional, a juventude teve um papel fundamental na eleição de Tancredo Neves para presidente pelo Colégio Eleitoral, o primeiro civil a dirigir o país após 21 anos de ditadura militar, em 1985.

No mesmo ano, os secundaristas comemoram a aprovação da Lei do Grêmio Livre, de autoria do deputado Aldo Arantes, que garantiu a reabertura dos grêmios estudantis nas escolas do país. Em 1988, durante as discussão da Assembleia Constituinte, a UBES lutou e conquistou o voto facultativo para os jovens de 16 e 17 anos já nas eleições.

Os estudantes secundaristas “cara-pintadas” foram os principais personagens da campanha “Fora Collor!”, que em 1992 arrastaram multidões pelo país após o presidente Fernando Collor de Mello se envolver em escândalos de corrupção. O presidente renunciou ao cargo para não sofrer processo de impeachment pelo Congresso Nacional.

CONTRA O NEOLIBERALISMO E AS PRIVATIZAÇÕES

Na década de 1990, a UBES resistiu contra o projeto neoliberal, as privatizações em setores estratégicos do país e o sucateamento da educação nacional nos governos Fernando Henrique Cardozo. A entidade cobrou a expansão e reformulação do ensino técnico, sob o bordão “Queremos mais do que apertar parafusos” e também ampliou a luta por outros direitos dos estudantes como a meia-entrada em eventos culturais e esportivos.

10% DO PIB E OS ROYALTIES DO PETRÓLEO PARA A EDUCAÇÃO

A partir do ano de 2010, a UBES imergiu totalmente na luta pela aprovação do Plano Nacional de Educação e pelos investimentos de 10% do PIB nesse setor, que foram conquistados em 2014. O PNE prevê ainda importantes metas como a universalização do ensino fundamental e a erradicação do analfabetismo. No mesmo ano, também foram obtidas a destinação de 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação. Agora, a entidade está na linha de frente pela implantação efetiva de todas as metas do plano em todo o território nacional e dentro dos prazos estipulados.

Em 2013, a UBES integrou ainda o movimento responsável pela aprovação do Estatuto da Juventude, reforçando os direitos dessa enorme parcela da população. Em 2014, a lei da meia-entrada foi aprovada, garantindo o direito do estudante pagar metade no ingresso de eventos esportivos e culturais através da apresentação do Documento do Estudante. Atualmente, o movimento estudantil pede a regulamentação da legislação.

DEFESA DA DEMOCRACIA

A crise econômica e o levante conservador e golpista que tomou o país após a reeleição de Dilma Rousseff para presidenta em 2014 exigiu dos movimentos sociais, e principalmente dos estudantes secundaristas, muita mobilização em defesa da democracia brasileira, contra o retrocesso e por mais direitos.

Os estudantes tomaram contra a redução da maioridade penal, contra os cortes na Educação, em defesa dos avanços sociais, da Petrobras e da democracia e pela expansão de direitos e por reformas populares, como a Reformulação do Ensino Médio.

Entre as atuais lutas da UBES ainda estão a reformulação do ensino médio, mais democracia nas escolas, o fim do machismo, do racismo e da homofobia no ambiente escolar e a assistência estudantil. Também defende outras pautas como a desmilitarização da polícia militar, o combate à proposta de redução da maioridade penal e a defesa da reforma política democrático, com o fim do financiamento de empresas a políticos.