Sob forte repressão do Estado, estudantes de Goiás ocupam a Secretaria de Educação

Secundaristas lançaram manifesto em repúdio às agressões sofridas e ressaltam a resistência do movimento

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Após uma madrugada marcada por muita repressão às escolas ocupadas em Goiás, nesta terça-feira (26) os estudantes traçaram uma nova estratégia de diálogo com a secretária de Educação, Raquel Teixeira. Após relatos de inúmeras invasões e agressões policiais, os secundaristas ocuparam pacificamente a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), em Goiânia, denunciando a reintegração de posse que vem ocorrendo em diversas unidades sem ordem judicial.

Na Seduce, os estudantes foram cercados pela polícia. Em mais uma tentativa de criminalizar e manipular a ação, o sub-secretário Marcelo Ferreira de Oliveira se trancou em uma sala para simular um suposto sequestro. Um vídeo divulgado pelos ocupantes desmascarou a farsa. Veja aqui.

Há mais de 24h, mais de 40 jovens permanecem na ocupação contra a implantação de organizações sociais (OSs) nas escolas estaduais, a militarização e por uma reunião com a secretária de Educação. Um manifesto foi divulgado pelos estudantes ocupantes ressaltando a intenção de todo movimento.

MANIFESTO DE OCUPAÇÃO DA SEDUCE

Nós, estudantes, professores e apoiadores, participantes das ocupações dos colégios estaduais desde o inicio do mês de dezembro, continuamos na luta e resistência contra o nefasto projeto de privatização velada da educação proposto pelo governo do estado de Goiás. Na ausência de um processo democrático, esse governo tenta a todo custo implantar o modelo, conhecidamente ineficaz em diversas experiências pelo mundo, de Organizações Sociais (OSs).

Utiliza-se de um frágil discurso que está disposto ao diálogo com o movimento, mas na prática ordena o corte da água e energia de colégios ocupados, utiliza a truculência da polícia militar para fazer desocupações forçadas, batendo e intimidando os manifestantes em grande número -vale ressaltar – menores de idade, e ordenando prisões arbitrárias.

Em vez de tentar ter uma sincera compreensão do motivo do levante de centenas de secundaristas contra essa afronta ao ensino público, prefere utilizar os meios de comunicação em massa para fazer a propaganda ideológica do Estado e criminalizar os estudantes em luta, exatamente como acontecia na ditadura militar. Repudiamos essa ação sob a égide da Constituição Cidadã e não vamos admitir presos políticos em pleno Estado Democrático de Direito.

Ocupamos a SEDUCE com o apoio de professores, da comunidade acadêmica e da sociedade como um todo, como forma de reafirmar nossa resistência a implementação de OSs na educação e seguiremos em luta por uma educação pública, gratuita, de qualidade e libertadora, contra o terrorismo de Estado, a repressão policial, a criminalização dos movimentos sociais e todas as formas de violência institucionalizadas.

As ocupações das escolas já têm sido muito vitoriosas. Sobre pressão dos estudantes e comunidade escolar, o governador Marconi Perilo (PSDB) e sua secretária de Educação Raquel Teixeira decidiram recuar em 90% do número inicial de escolas, além de adiarem por duas vezes a escolha das OSs.

Entretanto a luta continua e só desocuparemos a SEDUCE quando forem atendidas as seguintes demandas:
– Suspensão imediata do edital das OSs e abertura do dialogo com a comunidade e um plebiscito consultando-a sobre sua vontade de implantação ou não deste sistema de gestão;
– Fim da militarização dos colégios.
– Garantia de abertura de concurso público imediato para professores e pagamento do Piso Salarial dos professores.