Secundaristas Latino-americanos unidos em defesa da democracia

Diretor da UBES participa de reunião da OCLAE e expõe em artigo as pautas unificadas do movimento secundarista na América Latina

No mês de comemoração dos 50 anos da Organização Continental Latino America e Caribenha de Estudantes (OCLAE), a UBES participou da reunião do secretariado geral da entidade, entre os últimos dias 2 e 6, no Peru.  A entidade reúne lideranças estudantis de toda América Latina para articulações contra o imperialismo, a tentativa de golpe e desestabilização dos países, luta por uma nova escola e analisa a construção do 2º Encontro Latino-Americano dos estudantes secundários.

Representando a UBES, o diretor de Relações Internacionais da entidade, Jairo Marques, fala em artigo sobre a importância da reunião. “A crise política de desestabilização dos governos é uma ameaça à democracia e soberania dos povos, uma tentativa de tomar o poder central, declarar falência das estatais e privatizá-las”, escreve sobre a luta em defesa da Petrobras no Brasil. Leia na íntegra:

LUTA ESTUDANTIL LATINO-AMERICANA

A reunião do secretariado da OCLAE aconteceu em um momento muito importante para a atualização das lutas dos estudantes latino-americanos, em meio a um período em que nosso continente é diretamente atacado pelo imperialismo norte-americano na tentativa de desestabilizar nossa democracia.

Durante muito tempo, visando a hegemonia econômica centralizada, os Estados Unidos têm feito nossos povos entrarem em guerra. Somente a partir da eleição de governos populares em nosso continente essa centralidade econômica foi desarticulada com a consolidação dos BRICS (grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Nosso continente saiu das garras do fundo monetarista internacional, seguindo assim uma política econômica independente e articulada, comprometida com o desenvolvimento social, estrutural e cultural do nosso povo.

A questão se aprofunda ainda mais, para além da crise econômica, que tenta criar uma crise política. Tentam fazer no Brasil com a presidenta Dilma Rousseff o mesmo que fizeram na Bolívia com Evo Morales, na Argentina com Cristina Kirchner. A crise política de desestabilização dos governos é uma ameaça à democracia e soberania dos povos, uma tentativa de tomar o poder central, declarar falência das estatais e privatizá-las. Assim seguem as tentativas de ataque a Petrobras, refletindo uma guerra pela hegemonia de petróleo.

A crise econômica que vem assolando o mundo é uma crise do capitalismo, sistema que não apresenta nenhuma saída, criando guerra entre os povos na briga pela dominação econômica. Neste momento, é fundamental a unidade dos movimentos progressista na América Latina para barrar a tentativa de desestabilizar a democracia e os direitos dos povos.

O momento é fundamental para manter a educação ainda mais conectada com os desafios da juventude e as demanda sociais e estruturais. Precisamos questionar o papel da escola, que em muitos países é atrasada e sofre com resquícios de autoritarismo de uma ditadura ainda presente.

Precisamos de uma escola a serviço da libertação do nosso povo, capaz de formar cidadãos pensantes. É preciso que a educação latino-americana passe por uma reforma profunda e de financiamento. São necessário recursos diretos e públicos, como no Brasil, que destinou 10% do PIB e 75% dos royalties do petróleo para o setor. Em contrapartida, o Chile privatiza seu modelo de administração pública de escolas, repassando recursos para empresas.

Precisamos combater esse tipo de política neoliberal que rasga o conceito de educação livre e para todos, transformando a educação em mercadoria. A luta por um novo currículo é unitária em nosso continente: todos os países sentem a necessidade de construir um novo currículo conectado com os desafios da juventude e seu papel da sociedade, construir uma escola integral com currículo de formação continuada no contra turno é fundamental.

Nesse sentido, os estudantes latino-americanos estão articulando o 2º Encontro Latino-Americano dos Estudantes Secundários, tendo como objetivo a articulação entre os estudantes latino-americanos e caribenhos na luta contra o imperialismo, contra a tentativa de golpe e desestabilização dos nossos países e por uma nova escola.

Nesse momento, em que a OCLAE completa 50 anos, é fundamental a unidade dos estudantes na luta contra a ofensiva imperialista e na luta por uma escola nova e por um mundo novo.

Viva a unidade latino-americana!
Viva os estudantes secundaristas latinos!

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