Se há golpe, haverá luta! Em resistência ao impeachment, povo ocupa as ruas do Brasil

Na última etapa da votação, brasileiros permanecem organizando manifestações em defesa da democracia

A segunda-feira (29) amanheceu mais resistente no solo brasileiro. Em todo território, movimentos sociais e populares realizam novo ciclo de lutas pela democracia diante do golpe político em curso no Brasil. No momento em que o Senado Federal encaminha a última etapa do processo de impeachment, os estudantes e trabalhadores têm se manifestado em solidariedade à Dilma Rousseff, que foi à casa legislativa fazer a autodefesa no processo de julgamento do impeachment no qual é ré.

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ACAMPAMENTO E MARCHA EM BRASÍLIA
A UBES, em ato convocado pela Frente Brasil Popular, se somou às cerca de 2 mil pessoas que ocuparam a frente do Senado Federal, em Brasília (DF). Os secundaristas se uniram aos movimentos sociais, centrais sindicais, organizações de defesa dos direitos humanos e manifestantes espontâneos que compõem o Acampamento Nacional pela Democracia, localizado ao lado do Estádio Nilson Nelson.

-> Veja aqui os ataques do governo de Michel Temer aos direitos dos trabalhadores

Professores, camponeses, jovens, donas de casa, trabalhadores e trabalhadoras somaram centenas de pessoas vindas de várias regiões do país, que se alojam desde domingo (28).

Segundo a presidenta da UBES, Camila Lanes, as trincheiras dessa luta estão em defesa da democracia e contra os retrocessos do governo interino que já têm ameaçado direitos sociais.

“Os estudantes têm lado certo na história, isso está registrado na luta do movimento social do nosso país, por isso que vamos nos manifestar e colocar a rebeldia conseqüente da juventude nas ruas, nas escolas, nas universidades. Esse golpe não passará, e se passar, Michel Temer terá muitos problemas. Iremos inviabilizar o governo dele, mostrando tudo o que ele e a bancada golpista fez durante todas essas gestões, não vamos permitir esses retrocessos, o governo que tenta tomar o poder é golpista e não nos representa”, afirmou.

-> Acesse aqui 8 motivos por que o impeachment é  um golpe à democracia

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MANIFESTAÇÃO É REPRIMIDA EM SP
Insatisfeitos com o plano neoliberal do governo golpista, que não foi escolhido nas urnas em 2014, os paulistas foram às ruas na noite de ontem (29) e enfrentou a truculência policial, que contrasta com os protestos realizados a favor do impeachment, nos quais a violência policial é inexistente. Na Avenida Paulista, manifestantes e movimentos sociais fortaleceram o coro, que em uníssono, bradou pela retirada do governo antidemocrático de Michel Temer.Organizado pela frente Povo Sem Medo, o protesto começou às 17 horas, no Vão Livre do MASP. A passeata se iniciou pacificamente, mas quando a mobilização tentou se encaminhar para o prédio da Fiesp, um dos articuladores do golpe, o clima se acalorou.Determinada a impedir o prosseguimento do ato, a polícia militar criou um cordão humano. Após a insistência de alguns grupos para seguir adiante, a polícia lançou bombas de gás para dispersar e reprimir o movimento.Revoltados com a repressão da PM, manifestantes criaram uma barreira de fogo que os separava da polícia. As bombas continuavam a ser lançadas e a correria era generalizada: estudantes, crianças, idosos foram alvo da polícia que reprimiu o ato.

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RIO DE JANEIRO PEDE FORA TEMER
Estudantes vão às ruas contra o governo de Michel Temer – composto majoritariamente por homens, heterossexuais e brancos. Em pleno período tenebroso para a democracia brasileira, os secundaristas puxaram palavras de ordem contra a tentativa de impeachment que ataca a primeira mulher eleita à presidência do país.Nesta segunda-feira, quando o povo foi às ruas contra o golpe machista que se consolida na política brasileira (leia mais aqui), também se completa 20 anos do Dia da Visibilidade Lésbica. Veja transmissão ao vivo do ato, onde estudantes dão depoimento sobre o cenário brasileiro.




Mídia NinjaESTUDANTES OCUPAM AS RUAS DO PARANÁ

Em Curitiba, nesta terça-feira (30), no segundo dia do julgamento do impeachment no Senado, estudantes e professores paralisaram o centro da cidade por mais direitos. A data é histórica para a classe docente que, em 1988, foi tratada com truculência pelo governador do estado, Álvaro Dias.
Os 10 mil que ocuparam o centro nesta terça também mostram seu repúdio ao governador Beto Richa. Atos também aconteceram no Rio Grande do Norte e Santa Catarina.
A CULTURA CONTRA O GOLPE

Em Minas Gerais, reunindo artistas, militantes e toda população, os movimentos sociais organizam um “CulturAto” para fortalecer a luta. O evento acontecerá na noite desta terça, na Praça Rômulo Paes. Acesse aqui.

GAÚCHOS FAZEM RESISTÊNCIA

Também no fim da noite desta terça, às vésperas do fim do julgamento no Senado, os estudantes do Rio Grande do Sul se concentraram na Esquina Democrática, na capital. A manifestação “Não Ao Golpe”, reúne população gaúcha em resistência.

Atos também aconteceram no Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

 

 

 

Fotos: Cuca da UNE e Mídia Ninja.