Sangue e violência contra o povo marcam início do governo Temer

Repressão marca a ruptura do estado democrático com polícia nas ruas reprimindo atos que denunciam golpe político no Brasil

Em seu primeiro pronunciamento, Michel Temer anunciou em cadeia nacional que não admitirá ser chamado de golpista. Simultaneamente, o povo que bradava nas ruas “golpistas não passarão” foi brutalmente reprimido pela polícia militar que massacrou manifestações populares em diversos estados.

Bombas de efeito moral, gás de pimenta, prisões arbitrárias e espancamentos marcaram a atuação policial na noite de 31 de agosto.

BOMBA E ARBITRARIEDADE POLICIAL

O que aconteceu nesta quarta-feira (31), em São Paulo causa desespero e comoção que a mídia não mostra. Essa foi a terceira vez, em três dias, que a força policial do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), dizima – com um imenso arsenal – os atos contra o golpe.

“Antes da concentração, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, os policiais já começaram a cercar o local. Construímos um ato pacífico junto com os movimentos estudantil e social, mas o governo respondeu com bombas de gás e perseguição aos estudantes no centro da cidade”, conta o diretor da UPES, Daniel Cruz, sobre o ato que reuniu cerca de 20 mil pessoas.

SECUNDARISTA É ATROPELADO POR MOTO DA PM

O secundarista Thiago Silva, da cidade de Osasco, está entre os jovens perseguidos pela polícia. Pessoas que presenciaram o ataque contam que duas motos militares invadiram a calçada, atropelando duas vezes o estudante e o espancando com cassete. O garoto foi socorrido e teve o braço fraturado.

 

#SOMOSTODOSDEBÓRAH

A estudante da Universidade Federal do ABC, Deborah Fabri, está entre as vítimas da violência, truculência e autoritarismo. A universitária foi atingida no rosto por um estilhaço de bomba que quebrou a lente do óculo que usava. Com o olho perfurado, a jovem perdeu a visão do olho esquerdo.

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Nas redes sociais, a Universidade Federal do ABC, onde Deborah estuda, publicou nota de “repúdio a todas as formas de violência, incluindo o uso excessivo de força contra manifestações”. A instituição informou que já se manifestou à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Leia aqui na íntegra.

Em resistência ao golpe parlamentar, contra a truculência policial – que inclusive já levou à perda de visão de outras três pessoas nos últimos três anos -, e em solidariedade à Deborah, no próximo domingo (4), nova manifestação foi convocada. Acesse aqui: #SomosTodosDeborah

Em vídeo, estudante secundarista de 16 anos conta sobre assédio cometido por policiais durante abordagem em ato de terça-feira (30). No minuto 2:44 do vídeo, você confere o relato do estudante.

CENSURA NAS RUAS

Circula nas redes sociais vídeos e imagens do fotógrafo Vinicius Gomes, que durante a manifestação, foi abordado pelos militares que quebram sua câmera. Ele e outro fotógrafo, Willian Oliveira, ambos permaneceram detidos até as 5h da manhã desta quinta (1/9).

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Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia Ninja

PRIMAVERA DE LUTAS

Em Santa Catarina, a mídia independente acompanhou a negociação dos manifestantes com a polícia, no entanto, os militares também reprimiram a passeata pacífica.

Em Caxias do Sul (RS), militares agrediram manifestantes que já haviam dispersado do ato contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na cidade gaúcha. Na Esquina Democrática, o ato organizado pela Frente de Luta contra o Golpe reuniu mais de 20 mil pessoas.