Resistência e “catracaço” marcam manifestação contra a MP do ensino médio em SP

Cerca de 200 estudantes ocuparam as ruas da capital paulista contra a proposta autoritária de Reforma do Ensino Médio

Debaixo do sol que já atingia 28º C às 9h da manhã desta terça-feira (18), secundaristas iniciaram concentração no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, São Paulo, em ato contra a Medida Provisória 746/16 de reformulação do ensino médio, contra a privatização das gestões escolares e a Proposta de Emenda Constitucional 241, que estabelece o congelamento de gastos públicos e atingirá diretamente a educação. Outros atos ocorreram em Santos, no litoral paulista, e em cidades de Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e Ceará.

Na capital paulista, onde a onda de ocupações alcançou duas importantes conquistas, a CPI da merenda na Assembléia Legislativa e a retirada do projeto de reorganização escolar imposto no início do ano pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), a mobilização desta terça-feira deu continuidade à luta da Primavera Secundarista, desta vez, contra a MP proposta pelo governo de Michel Temer. Entenda mais aqui.

Com jogral, cartazes, tambores, faixas e palavras de ordem, a manifestação, em São Paulo, seguiu em direção à avenida 9 de Julho, sendo encerrada em frente à Secretaria de Educação, na Praça da República.

ATO SP 5

Estudantes seguem em direção à Secretaria Estadual de Educação

“Todo dia é dia de mobilização, debate, paralisação e rua”, ressalta o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Santos, chamando a MP da reforma de “deformação do ensino”, por se tratar de uma medida elaborada às pressas, sem consulta à comunidade escolar.

O texto da medida não representa o ensino defendido pelos estudantes e é criticado por especialistas, por ser considerada ultrapassada, por fragmentar e empobrecer a formação do pensamento crítico. Desde a sua publicação no Diário Oficial, no dia 22 de setembro, os estudantes ocupam suas escolas em protesto contra a medida. Veja a lista de escolas ocupadas.

PASSEATA, OCUPAÇÃO E RESISTÊNCIA

O sol escaldante não intimidou a manifestação dos estudantes paulistas que também prestou solidariedade às escolas ocupadas em todo o Brasil. Até as 17h, o Paraná concentrava o maior número, totalizando 688 escolas ocupadas, além de dez campi universitários e três núcleos de educação.

Estudantes protestam pela retirada da MP 746

Protesto pela retirada da MP 746

Na linha de frente da passeata, a secundarista da Escola Técnica Guaracy Silveira, localizada em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), Marina Rosa conta que tem muitos motivos para se posicionar contra a MP. Filha de professores e com o sonho de também seguir a carreira, a jovem de 17 anos critica as mudanças, em especial, o fim da obrigatoriedade das disciplinas de artes, educação física, filosofia e sociologia, e a não obrigatoriedade dos professores possuírem diploma de licenciatura, que o texto do projeto propõe.

“A educação será precarizada cada vez mais, até chegar num momento em que não teremos mais espaço para o pensamento crítico, e a gente sabe que um povo com pensamento crítico ajuda no desenvolvimento do país”, disse Marina.

Após o protesto, os estudantes fizeram um “catracaço”, pulando a catraca da estação República do metrô para chamar atenção para a reivindicação. Um grupo de seguranças reprimiu a ação, utilizando cassetetes e empurrando os secundaristas. Um menor de idade foi detido por um segurança e encaminhado para uma sala e, em seguida, levado para uma delegacia na Barra Funda, na zona oeste.

“Demos mais uma resposta a todos esses retrocessos do governo golpista, estamos em estado permanente de mobilização no Brasil inteiro. Hoje mesmo, nova escola foi ocupada em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, nossas mobilizações permanecerão acontecendo”, declarou o diretor da UPES, Daniel Cruz.

 

Secundaristas realizam jogral

Secundaristas realizam jogral