Proibidos de entrar, secundaristas resistem acampados em frente a ALESP

Trabalhadores prestam solidariedade ao movimento

A quinta-feira (5) começou nublada em São Paulo com a liminar de reintegração de posse expedida para sufocar a luta estudantil pela CPI da Merenda, mesmo assim, o céu cinza da capital paulista não desanimou os estudantes. No plenário da Assembleia Legislativa (ALESP), o movimento permanece firme e organizado há mais 48 horas de resistência.

O secundarista de Carapicuíba, Gabriel Rodrigues, é um dos estudantes que acompanhou o movimento de ocupação iniciado na última terça (3), mas foi impedido de retornar quando saiu do plenário. Barrado pela polícia militar, o jovem de 15 anos decidiu montar sua barraca em frente à ALESP e permanecer acampado em apoio à luta dos colegas que estão “isolados” no plenário (Saiba mais aqui).

“Desde que entramos na ocupação recebemos ameaça da polícia que nos cerca por todos os lados. No primeiro dia dentro da Assembleia, também enfrentei os 13°C do ar condicionado, na verdade, ninguém dormiu por causa do frio e três pessoas ficaram doentes, pois estávamos sem cobertas. Agora, com o acesso restrito, ficarei aqui fora na minha barraca manifestando meu apoio aos estudantes que estão lá dentro”, diz Gabriel que permanece na ocupação externa do prédio.

Nesta manhã, a equipe de reportagem da UBES foi até a Assembleia, encontrou estudantes de diversas regiões do estado que passaram a noite nas barracas, entre eles, jovens de Guarulhos, Taboão da Serra, Osasco e capital. Junto a eles, diversos trabalhadores prestaram solidariedade ao movimento que declarou publicamente a caçada aos ladrões da merenda.

TRABALHADORES APOIAM OCUPAÇÃO

Indo ou voltando do trabalho, durante todo o dia os trabalhadores param na região do Parque Ibirapuera, na capital, para conversar com os estudantes que montaram barracas na frente da ALESP. O eletricista João Fábio, é um deles. Depois de ter visitado a ocupação do Centro Paula Souza, na região da Luz, o trabalhador que na década de 60 militava nas fileiras da União Nacional dos Estudantes (UNE) contra a ditadura, diz permanecer apoiando as causas do movimento estudantil.

“Os trabalhadores estão aqui para ser solidários aos estudantes, sejam guerreiros, só com muita garra de vocês a CPI será instalada. Assim como foi no passado, só com a resistência de vocês isso se tornará realidade”.

Com o expediente suspenso, Françoase Araújo, que é funcionária da Casa há 15 anos, fala das impressões de ver a mobilização. “É uma atitude de uma juventude consciente! A falsa moral critica o estudante que subiu em cima da mesa, mas e quem está roubando? A corrupção é bem pior. Os professores ocuparam no passado e agora é a vez deles, a esperança de que as coisas não acabarão em pizza”, declarou.

Por Suevelin Cinti.