Primavera Secundarista: Luta estudantil garante conquista histórica para educação no Rio Grande do Sul

Após pressão estudantil, governador recua e se compromete a atender principais pautas dos secundaristas

Mais uma vez o movimento estudantil mostrou à que veio. Após 24 horas de resistência na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, ocupada na última segunda-feira (13/6), os secundaristas saíram vitoriosos e firmaram acordo com o Governo do Estado.

José Sartori (PMDB), Governador, que se recusava a dialogar com os estudantes mesmo após a ocupação de mais de 170 instituições de ensino, não teve outra opção a não ser dialogar com o movimento estudantil. Após pressão do movimento, ele recuou na tarde desta terça-feira (14/6) e resolveu atender as principais pautas do movimento.

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Para a secundarista Ana Paula Santos, do Colégio Estadual Protásio Alves, as conquistas foram um marco para a educação gaúcha. “No estado do Rio Grande do Sul, vivemos um momento histórico protagonizado pelo movimento estudantil. Conseguimos dar uma aula de cidadania, mostramos o que é ocupar uma escola! A PL 44, por exemplo, atingiria diversos setores e quem de fato emparedou o governo para que não fosse votada nesse ano foram os secundaristas”, enfatizou.

ACORDO

Assinado na manhã desta quarta-feira (15/6) durante reunião no Foro Central de Porto Alegre, o acordo representa mais de 100 escolas do Rio Grande do Sul. O documento suspende a votação da PL44/16, que privatiza escolas e garante o repasse de verbas para merenda, além da reforma das instituições de ensino. O Governo se comprometeu ainda, de maneira informal, a barrar a PL 190, lei da mordaça, que prevê a extinção de debates sobre gênero, sexualidade e política dentro das salas de aula.

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De acordo com o diretor da UBES, Fernando Fontora, a pressão do movimento estudantil foi primordial para que suas pautas fossem atendidas. “Esse movimento de ocupações foi uma grande vitória dos estudantes! Conseguimos barrar a PL44, criar um comitê de estudantes que vai fiscalizar nossas vitórias e a nomeação imediata de professores que estariam faltando. Além disso, segundo um acordo informal, a PL 190, a lei da mordaça, vai ser barrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)”, finalizou Fernando.