Presidente da UPES é brutalmente agredido pela Guarda Municipal de Mauá durante ocupação

Estudantes ocupavam Câmara Municipal pela abertura de uma CEI, quando a truculência policial interrompeu a mobilização

Na última terça-feira (02), mais uma atrocidade foi cometida contra o movimento estudantil. O Presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Santos, conhecido como Catatau, foi preso e violentamente agredido pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) durante a ocupação da Câmara Municipal de Mauá.

Cerca de 50 estudantes ocupavam pacificamente o plenário da Câmara pela instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), que investigue o superfaturamento da merenda escolar no município, quando o presidente da Casa, Marcelo de Oliveira (PT), autorizou a entrada da polícia.

De modo truculento, os policiais retiraram os secundaristas do espaço, com cassetetes, empurrões e enforcamentos. A truculência da GCM feriu o presidente da UPES, Emerson, que foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Catatau levou quatro pontos na cabeça e agora passa bem.

“Entraremos com uma ação judicial contra a administração pública da cidade. Fiquei estarrecido com a violência gratuita e desnecessária da polícia. Eles nos levaram a um corredor com poucas pessoas e começaram a nos agredir”, contou Emerson.

Confira a ação truculenta da GCM:

 

 

O secundarista Guilherme Botelho,17, que participava da mobilização, também denunciou o despreparo e os excessos cometidos pela polícia do município. “Nos retiraram do ambiente de forma muito violenta! Chutaram meus braços! ”, reclamou.

O presidente da entidade relembrou ainda que mesmo diante da repressão policial, a resistência da luta estudantil continuará. “A galera já está se organizando novamente! Na próxima semana vamos realizar outro ato na Câmara de Mauá pela CEI da Merenda, além de uma passeata contra a truculência da GCM”, finalizou.

 

 

Hoje, o presidente da UPES esteve na CPI da merenda e manda recado.

Apesar da perseguição aos movimentos sociais, a presidenta da UBES, Camila Lanes, reforçou que: “não iremos nos calar. Vamos ocupar tudo até que os ladrões de merenda sejam presos”.

Contra a violência policial

 A hostilidade da polícia contra a população tem se escancarado nos noticiários diariamente. Além do ocorrido com o presidente da UPES, são diversos os casos. Na semana passada (25), o ex-senador Eduardo Suplicy foi detido de forma bárbara num protesto contra reintegração de posse em São Paulo. Constam ainda episódios como o de Cláudia da Silva, negra, pobre e periférica, assassinada pela polícia, além da morte de um garoto de 10 anos, no mês de junho, morador da Favela do Piolho, zona sul do Rio de Janeiro.

Desde o ano de 2014, a Guarda Civil Municipal de todo o Brasil detém o mesmo poder que a polícia. Com a medida, a GCM passa a portar arma de fogo e tem a tarefa de proteger a vida e o patrimônio público.