Presidente da Alesp isola estudantes em ocupação

Fernando Capez (PSDB), acusado de receber propina no esquema da máfia da merenda, proibiu entrada de alimentos para os secundaristas que ocupam a casa legislativa

Travando uma luta de resistência na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os estudantes ocupam desde a terça-feira (3) o plenário Juscelino Kubitschek, com o objetivo de pressionar a Casa a iniciar a investigação sobre o desvio de verba pública na compra de merenda escolar.

Cercados por policiais, os estudantes enfrentam o que o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB) chamou de estratégia de “saturação” para forçar a saída dos manifestantes enquanto aguarda a aprovação do pedido de reintegração de posse pelo Tribunal de Justiça.

“Vamos isolar até que eles saiam”, afirmou Capez, que proibiu a entrada de alimentos, utensílios de higiene pessoal e roupas durante o segundo dia de ocupação (4).

“Tenho epilepsia e preciso comer em horários controlados. Quase desmaiei de fome porque só comemos pão de manhã. A comida foi doada pela população, mas só conseguiu chegar até a gente porque alguns deputados, favoráveis ao movimento trouxeram”, disse o secundarista Erik Borges, de 17 anos. Passava 18h quando comeu sua primeira refeição completa do dia: arroz, feijão, frango e salada.

Apesar da pressão, os estudantes permanecem concentrados, fazendo debates e reafirmando que farão resistência até que seja instalada a CPI da Merenda.

Nas últimas 24 horas, a ocupação esteve cercada por policiais, com o acesso aos banheiros, por exemplo, regulado pelos militares. O sinal de wifi e energia elétrica foram cortados para dificultar a comunicação dos alunos com a família e a imprensa. Os jornalistas, aliás, estão proibidos de entrar no prédio.

“Recebemos a notícia de que foi pedida a reintegração de posse. Ficamos alertas porque sabemos que a polícia está isolando a Alesp. Ontem, ninguém entrava, ninguém saía. Começaram a pegar nossos nomes, RG e data de nascimento para ter acesso ao banheiro”, conta Emerson Santos, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) e aluno da Etec de Artes.

A estratégia de isolamento foi definida por Capez, um dos parlamentares investigados no caso de superfaturamento de preços e pagamentos de propina em contratos de várias prefeituras e do governo paulista. Chamada de Operação Alba Branca, uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público investiga o esquema desde janeiro. Até agora a Assembleia Legislativa não analisou nenhum requerimento sobre o caso.

“Queria pedir o apoio de cada estudante que estiver em São Paulo para vir para a Alesp, porque nós não vamos arredar o pé daqui enquanto não tiver CPI”, convocou Stephannye Vilela, tesoureira da UBES.

AJUDE A OCUPAÇAO

A estudante de direito da PUC, Ana Martins, reuniu mantimentos e levou até a ocupação, porém, foi impedida pelos policiais e não conseguiu entrar. “A Assembleia foi cercada pela polícia, não consegui entrar. Fui barrada. Mesmo assim, com a ajuda dos assessores dos parlamentares, consegui que fossem entregues os alimentos”, disse.

Você também pode apoiar a ocupação com doações de alimentos e itens de higiene pessoal na sede da Alesp (Av. Pedro Álvares Cabral, 201 – Parque Ibirapuera, São Paulo) ou por meio de depósito:
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
Banco do Brasil
Agência: 7067-x
Conta corrente: 19.848-x
CNPJ: 28.180.636/ 0001-81

Texto Suevelin Cinti, com informações do El País Brasil