Portas fechadas para o povo: Temer responde manifestações dos estudantes contra a PEC 55 com violência policial

Com cerca de 50 mil pessoas, movimento Ocupa Brasília é reprimido; em ação arbitrária, polícia impede que povo acompanhe a votação no Senado

Nesta terça-feira (29), Michel Temer sentiu medo da força popular que vem ocupando escolas e universidades em todo o país. No dia que o Senado colocou em votação, em primeiro turno, a mudança na Constituição que vai congelar os investimentos em saúde e educação nos próximos 20 anos, o governo ilegítimo fechou as portas do Congresso Nacional para o povo.

Enquanto cerca de 50 mil estudantes e trabalhadores, vindos de diversos estados desembarcavam no Distrito Federal, a polícia preparava um ataque para reprimir as caravanas do movimento Ocupa Brasília.

A ação totalmente arbitrária e repressora que atacou e feriu secundaristas com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo tinha um único objetivo: calar as vozes e reprimir a luta construída no Brasil contra a PEC 55 que ataca os direitos sociais.

– Entenda aqui os motivos por que a UBES é contra a PEC 55

A diretora da UBES Stephannye Vilela estava em Brasília e integrava a passeata quando a violência policial contra os estudantes começou. Ela relata que o clima foi de desespero quando bombas e gás de pimenta foram arremessados em direção aos secundaristas, que corriam em meio à cortina de fumaça.

“A polícia chegou reprimindo os estudantes, havia muitos carros policiais espalhados por toda parte. Viemos para Brasília para lutar pelos nossos direitos, lutar pela construção de uma educação pública de qualidade. Nós ocupamos mais de mil escolas em todo Brasil e não será a repressão policial que nos fará sair das ruas. Continuaremos ocupando e resistindo pelo ensino e contra esse governo golpista e autoritário de Michel Temer”, reafirmou.

NAS RUAS, OCUPA BRASÍLIA RESISTE

Acompanhe a linha do tempo do ato desta terça-feira (29), em Brasília, contra a PEC do fim do mundo. A mobilização seguia pacífica até que a polícia do Distrito Federal partiu pra cima dos estudantes e trabalhadores que compunham essa grande mobilização:

14hs – Caravanas de diversos estados do Brasil chegam a Brasília e se unem a manifestantes que já acampavam na capital federal.

16hs – Desde o período da manhã a mobilização contra a PEC já reunia estudantes em frente ao Ministério da Educação (MEC) com um grande ensaio das baterias.

17h – No período da tarde, a concentração aconteceu em frente à Biblioteca Nacional e seguiu rumo ao Senado, local da votação. Em ato pacífico, os manifestantes caminharam rumo ao Congresso Nacional.

Durante o trajeto era possível notar integrantes dos mais diferentes campos do movimento social e também a união entre professores, técnicos-administrativos e estudantes em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.

17h30 – Estudantes ocupam o espelho d’ água do Congresso Nacional.

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17h45 – Para dispersar o ato, que se concentrava em frente ao Congresso, a polícia inicia repressão a manifestantes com gás lacrimogêneo, cassetetes e bombas de efeito moral. Usando a cavalaria, eles também atiram bombas e perseguem manifestantes que se encontravam no local.

A ação policial feriu secundaristas, muitos deles, menores de idade. Alguns manifestantes desmaiaram.

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“Jogaram uma bomba na perna de uma menina, uma amiga foi ajudar e a polícia militar jogou spray de pimenta nas duas”, conta a diretora de Mulheres da UBES, Brisa Bracchi. A jovem relata que, diante do ataque policial, o ato recuou e um grupo autônomo construiu barricadas para se proteger da polícia, e revidou os ataques.

18hs – O Senado iniciou a votação da PEC do teto de gastos em primeiro turno e proibiu que o povo entrasse para acompanhar a votação.

18h20 – Cordão de isolamento policial impede a presença dos manifestantes no gramado do Congresso Nacional.

 

A presidenta da UBES, Camila Lanes, criticou o governo que não abriu diálogo para ouvir o povo e que tem criminalizado as reivindicações. “O Governo de Temer ainda não é o golpe, é o começo dele, esse ainda está preparando o terreno para o pior. É para isso que temos que estar preparados. Ontem [29] foi um dia histórico, mais de 50 mil pessoas deixaram seu recado, não estamos brincando. Uma grande marcha até o espelho d’ água, palavras de ordem, bandeiras ao alto e infelizmente tudo isso acabou como Michel Temer gosta: com um exemplo do que é o estado de exceção”, diz Camila.

18h50 – Estudantes retornam e se reúnem na Catedral de Brasília para prestar socorro aos feridos. Pessoas precisaram de atendimento de emergência, entre elas, secundaristas do Instituto Federal do Rio Grande do Norte que tiveram falta de ar devido inalação do gás.

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O intuito dos estudantes que construíram um ato pacífico era acompanhar a votação da PEC no Senado Federal

19h30 – A UNE lança nota de repúdio à violência policial do governo do Distrito Federal.

“O que nos assusta e nos deixa perplexos é a polícia militar do governador Rolemberg jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra estudantes, alguns menores de idade, que protestam pacificamente. Esse é o reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo”, dizia trecho da nota. Leia na íntegra aqui.

19h40 – Mesmo com parte do ato distante do Congresso Nacional, os policiais permaneceram perseguindo os manifestantes atirando bombas de gás.

21h – Caravanas estudantis começam a embarcar e voltar aos seus estados.

0h35 –  A despeito da vontade popular, os senadores aprovaram a PEC 55 em primeiro turno com 61 votos favoráveis e 14 contrários.

Em uma enquete no site do Senado Federal sobre a PEC 55, a maioria dos votos é contrária ao projeto. A consulta pública sobre a proposta já chegou a 344.190 votos contrários e 23.484 a favor. A sondagem começou no dia 26 de outubro, quando a matéria chegou ao Senado. É possível opinar enquanto o projeto tramitar na Casa.

Camila, que participa das ocupações de escolas em diversos estados do Brasil é enfática sobre o posicionamento do movimento estudantil. “A luta continua e precisamos praticar a unidade, não estamos mais em um estado de direito democrático e todos tiveram a confirmação disso”, alertou.

Fotos por: Cuca da UNE e Yuri Salvador
Vídeos: Débora Neves e Cuca da UNE