Polícia invade escola ocupada em Goiás e agride estudantes

Mesmo sem ordem de reintegração de posse, ação policial violenta tenta intimidar movimento

As ocupações das escolas de Goiás foram iniciadas em 9 de dezembro. Desde então, os estudantes que protestam contra a ameaça de terceirização e a militarização das escolas públicas passam por diversas repressões comandadas pelo governo do estado. Pelas redes sociais, secundaristas do colégio Ismael Silva de Jesus, localizado no setor noroeste de Goiânia, denunciaram a invasão que aconteceu durante a madrugada desta terça-feira (26), quando cinco viaturas da polícia militar invadiram o prédio e arrebentaram portas e cadeados.

“Eu estava dormindo, fui acordado com um policial pisando em minha cabeça. Uma menina que estava com a gente levou uma cadeirada nas costas. Não houve diálogo”, diz um secundarista em vídeo postado nas redes sociais. Há outros relatos de que os agentes acordaram os jovens com xingamentos e arma em punho, forçando a desocupação. Um outro estudante foi atropelado e teve fratura exposta na perna.

“Fomos acordados à base da pancada. Guardei as minhas roupas rapidamente e saí. Crianças levaram tapa na cara da polícia, estamos chocados, mas vamos resistir”, diz uma jovem secundarista em outro vídeo.

Roupas e colchões também foram despejados pelos policiais que impediram a retirada dos alimentos arredados por doações. Os estudantes foram ao Ministério Público e protocolaram denúncia relatando as agressões.

REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Liminares concedidas na última sexta-feira (22) por juízes das comarcas de Aparecida de Goiânia e de Anápolis determinaram a reintegração de posse das escolas ocupadas apenas nos dois municípios.

No colégio Rui Barbosa há relatos de opressão por parte da comunidade e dos próprios professores. “Houve muita repressão, alunas levaram empurrões e os estudantes não puderam manifestar suas opiniões sobre o projeto que transfere as administrações das instituições públicas a organizações sociais (Os’s). Devido à invasão dos professores, foi determinado em assembleia que é melhor recuar com nossa ocupação, mas iremos quinta-feira (28) ter um diálogo aberto com os estudantes”, diz a página da Ocupação.

A UBES, assim como aconteceu em São Paulo, presta solidariedade à luta dos secundaristas de Goiás por saber que esta é uma luta legítima. Sob o mote “educação não é mercadoria”, a entidade destaca o movimento de ocupação das escolas como essencial para construção da gestão democrática, onde ocupar e resistir são palavras-chave para educação pública e de qualidade.

ENTENDA AS OCUPAÇÕES

Os estudantes ocupam as escolas em protesto à proposta do governo estadual de fazer com que organizações sociais cuidem da administração e infraestrutura das escolas e possam também contratar professores e funcionários administrativos. O quadro atual de concursados será mantido, mas novos profissionais podem ser escolhidos pelas organizações. Além da ameaça de terceirização, a implementação do novo projeto foi decidia sem diálogo com a comunidade escolar.