Ocupações de Goiás enfrentam ofensiva do governo do estado

Estudantes não recuam e aumentam o número de escolas em luta

Depois do ato organizado na Secretaria de Educação em Goiânia, na última quarta-feira (6), a polícia intensificou a repressão contra as ocupações das escolas de Goiás. Desde dezembro, quando as ocupações iniciaram, diversas tentativas de inibir os jovens têm sido denunciadas nas redes sociais.

O último colégio ocupado foi o estadual Antensina Santana. Ele completa o quadro de 25 instituições mobilizadas para protestar e impedir o ataque à educação pública promovido pelo governador Marconi Perillo, que planeja terceirizar a administração da rede pública com as Organizações Sociais (OS) e ampliar as escolas militares. Saiba mais.

No facebook, diversas páginas administradas por estudantes que estão dentro das ocupações denunciam abusos da polícia, como foi o caso da Antensina, onde os militares impediram acesso a parte da escola. Os jovens ficaram encurralados em uma área aberta do prédio, expostos à chuva e sem acesso à cozinha ou banheiro. A entrada de novos ocupantes foi impedida e os alimentos regulados. Somente após 12 horas de resistência, a passagem foi liberada.

Na madrugada deste domingo (10), a ocupação Villa Lobos denunciou a invasão de um policial que pulou o muro da instituição. “Recebemos uma ameaça da ROTAM (Rondas Ostensivas Táticas) dizendo que mandariam as “barcas”, que iria entrar e bater em todo mundo. Estamos em alerta e pedimos que todas as ocupações fiquem atentas, denunciem as ameaças. Não vamos recuar!”, diz a publicação.

Em dezembro, o natal dos estudantes da E.E. Cora Coralina ocorreu dentro da ocupação, porém, no dia 28 os secundaristas foram surpreendidos com seis bombas arremessadas nas proximidades. Apesar do susto, a escola permaneceu ocupada. Na página oficial, os jovens contam que policiais fardados rondam a instituição, fotografam os ocupantes e já houve registro de corte de energia. No dia em que o movimento foi iniciado, há relatos de que um militar derrubou parte do portão.

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RESISTÊNCIA E NOVOS ATOS

A “Primavera Secundarista”, além de ocupar, atos de rua chamados de “Cadeiraço” tem fortalecido o movimento que conta com apoio de professores, pais e moradores das comunidades ao redor das escolas. Nesta segunda (11), o fim de tarde será marcado por nova passeata que partirá do Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, em Goiânia. Acesse evento.

Para fazer doação de alimentos, produtos de limpeza, entre em contato com as escolas, acessando aqui lista de unidades ocupadas.