“Merendaço” em São Paulo pede abertura de CPI para investigar desvio de recursos da merenda

Atos ocorrem em todo o estado. Nesta terça (22), estudantes paralisaram avenidas na zona oeste da capital

Com a distribuição de uma bela macarronada nas ruas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no último sábado (19), estudantes, pais, professores e trabalhadores organizaram na Esplanada do Teatro Pedro II o primeiro “merendaço”, ato pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apure denúncias de desvio de verbas destinadas à merenda escolar da rede estadual de ensino.

12068683_801891679941730_4151900334080787436_oA manifestação desencadeou uma série de mobilizações lideradas pelos secundaristas que, desde o início do ano letivo, denunciam a falta de refeições e a restrição dos alimentos à “merenda seca” (bolachas, biscoitos e barras de cereais).

AVENIDAS PARALISADAS

Na manhã desta terça-feira (22), estudantes fecharam o cruzamento das avenidas Rebouças e Faria Lima, na zona oeste de São Paulo. Eles protestavam contra a máfia da merenda e o fechamento de salas em colégios da rede estadual.

O ato começou por volta das 7h na estação Butantã da linha amarela do metrô. Em seguida, caminhou pela Avenida Eusébio Matoso até o cruzamento com a Avenida Faria Lima.

A paralisação desta terça revisita as ocupações de 221 escolas públicas em repúdio à ameça do governador Geraldo Alckmin de fechar 94 instituições e reorganizar a rede pública sem nenhum diálogo com a comunidade escolar. Apesar de do programa ter sido suspenso, estudantes denunciam que a estratégia permanece em curso, encerrando turmas, remanejando alunos e superlotando salas.

#CPIdaMerendaJá!

Em 19 de fevereiro, a investigação Alba Branca, do Ministério Público Estadual denunciou os desvios na compra de alimentos para a merenda da rede paulista de ensino há pelo menos dois anos. Há indícios do envolvimento do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Fernando Capez (PSDB), no esquema.

Os estudantes de São Paulo têm protagonizado a luta pela abertura imediata da CPI. A pauta é um dos temas centrais do principal fórum secundaristas do estado, o 18º Congresso da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), que acontecerá de 29 de abril a 1º de maio, na capital.

“A implementação da CPI é o foco central do congresso, além de denunciar a reorganização disfarçada e a tentativa de aparelhamento dos grêmios estudantis por parte do governador Geraldo Alckmin. Alinhados com a conjuntura nacional, também vamos reivindicar a democracia, que vem sendo ferozmente atacada”, destaca o diretor de Comunicação da UPES, Junior Panzariello.

Para saber mais sobre o 18º Congresso da UPES, acesse aqui.