Manifestações contra o golpe se espalham pelo país

De forma espontânea, atos contra a tentativa de impeachment de Dilma Rousseff reuniram brasileiros de diversos estados neste feriado

Por todo o Brasil, o simbólico feriado de Tiradentes foi de luta. Em São Paulo, depois de uma quinta-feira (21) movimentada pela atividade “Juventude nas ruas #NãoAoGolpe”, na Avenida Paulista, o evento “Estudantes pela Democracia” ganhou adesão da população paulistana no sábado (23). Contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o evento criado no Facebook culminou em centenas de estudantes ocupando o Vale do Anhangabaú, no centro da capital.

Na quinta, dia do mártir da Inconfidência Mineira, no ato da Avenida Paulista, os estudantes dançaram e cantaram “Não vou deixar o golpe acontecer de novo, não” e “Não vai ter golpe”.  Mesmo sem bandeiras, carros ou caixas de som, com cartazes e voz coletiva encorparam o jogral:

“Somos nós que temos o dever de todos os dias levar a verdade para a população contra esse golpe. O que está em jogo não é apenas o mandato, e sim todas as conquistas sociais que nós já conseguimos”.

Os protestos contaram com o apoio e a presença de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de outros movimentos estudantis.

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PIQUENIQUE CONTRA O GOLPE

Com muita alegria, o “Piquenique da Democracia” também levantou a luta contra o golpe, novamente na Avenida Paulista, na manhã do último domingo (24). Os estudantes marcaram presença na atividade, que teve adultos e crianças ocupando um dos principais cartões postais de São Paulo.

No interior, Campinas entrou na luta. Os manifestantes organizaram ato em frente a casa do promotor de justiça e deputado federal Carlos Sampaio, um dos maiores articuladores da votação pelo impeachment na Câmara dos Deputados, que teve sua postura conservadora e antidemocrática questionada.

ESCRACHO NA CASA DO BOLSONARO 

Na manhã do domingo (24), no Rio de Janeiro, a frente do apartamento do deputado federal Jair Bolsonaro amanheceu ocupada por centenas de ativistas. Os manifestantes se disseram indignados com a postura do parlamentar que, ao votar pelo sim do impeachment da presidenta Dilma, homenageou o torturador da ditadura militar Brilhante Ustra.

No escracho, que aconteceu na Barra da Tijuca, jovens se vestiram de Hitler em alusão à figura do deputado.

CINELÂNDIA CONTRA O GOLPE

Na sexta-feira (22), foi a vez da praça da resistência carioca, palco de grandes lutas democráticas. A Candelária foi tomada pelos estudantes e movimentos sociais que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. No meio do trajeto até a Cinelândia, a passeata passou pelo Largo da Carioca, onde fica o escritório do Deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que foi vaiado pelos manifestantes.

SEM TERRINHAS

A Marcha pela Democracia chegou à cidade de Santa Bárbara, interior de Minas Gerais, na noite de sábado (23), após passar pelas sedes das mineradoras Samarco e Vale. Uma grande caminhada percorreu a cidade, puxada pelos Sem Terrinhas, que cantaram e entoaram palavras de ordem.

A Marcha pela Democracia saiu de Ouro Preto no dia 22, com destino a Belo Horizonte, onde chegará na próxima terça (26) para um grande ato público contra o Golpe.

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TODO O MUNDO CONTRA O GOLPE

No domingo (24), artistas e manifestantes realizaram uma intervenção no gramado do Congresso Nacional: uma grande roda pela democracia, com aproximadamente 500 pessoas. O diretor de teatro Fernando Villar, convocou a população para formar as palavras Golpe, SOS.

Em Nova Iorque, nos Estados Unidos, as ruas foram ocupadas na sexta-feira (22) por brasileiros e estrangeiros contra o golpe.

ESTUDANTES CONVOCAM PARALISAÇÃO

Em defesa da democracia, os protestos espontâneos tendem a crescer, sobretudo pelo impacto do circo que foi a aprovação do impeachment pela Câmara de Deputados, presidida por Eduardo Cunha, réu em processo de corrupção no Supremo Tribunal Federal (STF).

O STF parece não ter urgência, assim como a Câmara dos Deputados, em aplicar a lei contra Cunha, enquanto editoriais da grande imprensa defendem que a prioridade é o impeachment de Dilma e não o combate sem tréguas à corrupção.

No próximo dia 28 de abril, quinta-feira, o movimento estudantil liderado por grêmios, secundaristas, DC’s e CA’s comandarão junto com a UBES, UNE e ANPG uma Paralisação Nacional com trancaços nas escolas, aulas públicas, assembleias e manifestações. Acesse o evento aqui e saiba mais.

Foto de capa e foto 2: CUCA da UNE / Foto 3: Mídia Ninja.