Governo goiano recua e nenhuma OS está qualificada para gerir escolas

Mesmo com essa vitória, estudantes seguem pressionando o poder público contra a implementação do projeto

Depois do forte movimento contra a terceirização da educação de Goiás, por meio da transferência da administração escolar para Organizações Sociais (OSs), o governador Marconi Perillo (PSDB) e a secretária de Educação, Raquel Teixeira, finalmente admitiram o que estudantes, professores e Ministério Público já sabiam: nenhuma entidade que se candidatou para cuidar das escolas estava apta para tarefa, conforme resultado do processo divulgado na última quarta-feira (23).

Das cinco entidades que concorreram ao edital, nenhuma apresentou a capacidade técnica exigida pela Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce). Em recomendação, o Ministério Público mostrou que várias OSs não demonstravam notória capacidade profissional para exercer a atividade pretendida. Inclusive, uma OS tinha como responsável um médico veterinário, que não apresenta histórico de atuação na educação.

“O governo terá que fazer um novo edital, demonstrando que esteve equivocado. Os estudantes que ocuparam as escolas acreditam e vão lutar pela suspensão do projeto. A tomada de decisão do Ministério da Educação (MEC) de não permitir a utilização de verbas do Fundeb e do Governo Federal para subsidiar o projeto mostra que estamos no caminho certo”, diz o diretor da UBES no estado, Gabriel Tatico.

OCUPAR E RESISTIR

Sem férias, os estudantes passaram mais de dois meses ocupando 28 colégios contra a proposta do governo de ceder a administração de mais de 300 instituições públicas de ensino para Organizações Sociais (OSs), além de ampliar as escolas militares.

Depois de desencadear uma verdadeira Primavera Secundarista em Goiás, o próximo passo do movimento estudantil é fortalecer a democracia e a participação nos espaços de poder nas escolas.

“Teremos uma reunião com a secretária de Educação, Raquel Teixeira, e vamos apresentar um projeto piloto para colocar em prática no colégio estadual José Lobo. A ideia é construir junto com a comunidade escolar um conselho fortalecido, que dê mais controle e capacidade de acompanhar todas as decisões dentro da escola”, explica Gabriel.