Estudantes saem vitoriosos após ocupação de escola em Minas Gerais

Após 10 dias de ocupação, secundaristas derrubam decisão de dividir prédio de escola pública com colégio militar

Fruto de muita luta, estudantes da Escola Estadual Ricardo de Souza Cruz, no bairro Nova Esperança, em Belo Horizonte (MG), reafirmaram com unidade a força  do movimento estudantil. Após dez dias de ocupação dentro da instituição pública, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou em nota que não haverá mais a implementação da proposta de coabitação da unidade pública com colégio militar.

Os secundaristas ocupados desde o dia 5 de janeiro deixaram o prédio da instituição na última sexta-feira (15/01) após realizarem um mutirão de limpeza com objetivo de devolver a instituição em melhor condição do que a encontraram.

O objetivo era implementar a nova sede do Colégio Militar Tiradentes junto à instituição estadual Ricardo de Souza Cruz. Os estudantes afirmam que  o uso do prédio por filhos de policiais retiraria vagas dos secundaristas da comunidade, que não teriam outra instituição pública para frequentar nas proximidades. Os colégios militares somente fornecem vagas para filhos de militares.

De acordo com a presidenta da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), Késsia Cristina, unir as duas instituições acarretaria num ensino opressor que não respeita as diferenças, indo totalmente na contramão das mudanças que os jovens precisam dentro das escolas públicas do Brasil.

“Sabemos que o colégio militar tem o modelo de ensino arcaico que está totalmente fora da realidade da juventude. Combater a militarização nas escolas é uma vitória da juventude, pois lutamos por uma educação de qualidade sem qualquer tipo de opressão, com cultura, esporte e lazer. Nosso ensino precisa avançar, ser revolucionado. Militarizar as escola é retrocesso, não é o caminho para a educação que queremos”, afirma.

A decisão de não implementar a proposta de coabitação ocorreu após encontros com representantes da comunidade escolar, movimento estudantil, PM e direção da escola. No dia 13 de janeiro, a SEE informou em nota oficial a decisão, sendo assim, a Escola Estadual Professor Ricardo de Souza Cruz permanecerá atendendo os estudantes das comunidades locais nos três turnos.

 

OCUPAR E RESISTIR

Sob a palavra de ordem “ocupar e resistir”, a luta de Minas Gerais foi inspirada no movimento protagonizado pioneiramente em São Paulo. Os secundaristas deram uma verdadeira aula de democracia e organizaram a ocupação de 213 escolas contra a imposição da “reorganização” do ensino paulista imposto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). O protesto histórico dos estudantes saiu vitorioso, além de impedir o fechamento de 93 escolas, desencadeou uma verdadeira “Primavera Secundarista”, que tem inspirado novas ocupações em diversos estados.