Estudantes e professores de Goiás são detidos em ocupação

Após ocuparem pela segunda vez a Secretaria de Educação em protesto contra a terceirização do ensino, 31 pessoas foram presas de forma arbitrária

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Diante da ameaça de terceirização, privatização e militarização da educação, estudantes e professores do Estado de Goiás ocupam escolas da rede pública há mais de dois meses e, desde o dia 26 de janeiro, se instalam na Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce). Nesta segunda-feira (15), um grupo de estudantes que antes mantinha ocupações dentro das escolas estaduais também se encaminhou às dependências da Seduce. O ato acabou com a prisão arbitrária de 31 pessoas, entre elas 13 menores de idade.

 

De acordo com a página do Facebook “Secundaristas em luta – GO”, os policiais militares se aproveitaram da situação para agir com truculência e forçar a saída dos ocupantes. “A polícia não tentou negociação, chegou com violência e prendeu todos os presentes, Armou para os maiores [de idade] que estavam do lado de fora, os convidando para acompanhar a operação, mas ao entrarem lá [eles] foram presos também”, diz a publicação. Os estudantes denunciam que os detidos foram encaminhados até a delegacia em um ônibus da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia (RMTC).

 

Os manifestantes protestam contra a proposta que transfere a administração de escolas públicas de Goiás para organizações sociais (OS) e contra a militarização das instituições. Muitos secundaristas vêm denunciando por intermédio das redes sociais as ações violentas de desocupação conduzidas dentro das escolas. “Já sofri ameaças da polícia militar e já vi a Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) presente em algumas escolas. Desde dezembro acontece repressão. Na escola estadual Cecília Meirelles, em Aparecida de Goiânia, por exemplo, a PM reprime abusivamente os alunos desde o primeiro dia de ocupação”, denuncia Mariana*.

 

Agentes da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais disseram que apenas três menores seguem apreendidos até esta terça-feira (16), à espera da chegada dos responsáveis. Outros dez já foram liberados. 15 maiores de idade continuam presos. Os homens permanecem na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), e as mulheres estão no 14º Distrito Policial (DP) à espera da audiência de custódia.

 

PROFESSOR DENUNCIA MANOBRA DA PM

O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Rafael Saddi denunciou ação da polícia militar em um vídeo divulgado nas redes sociais, alegando que houve manobra para prendê-lo.

 

Ele relata que estava próximo ao prédio da Seduce, sem participar da ocupação, quando foi convidado pelos policiais militares a acompanhar a ação de desocupação com o objetivo de garantir a integridade física dos estudantes secundaristas.

 

O professor aceitou observar a operação da PM junto a dois estudantes universitários, mas os três foram deitados e algemados ao chegarem ao prédio. Além disso, ele conta que um dos policiais ainda apontou o dedo em seu rosto e disse: “Você é aquele professor da UFG que estava falando coisas.”

 

Para assistir ao vídeo, clique aqui.

 

LUTAR NÃO É CRIME!

Diante dos atos de violência e truculência praticados pela polícia militar durante as ocupações das escolas goianas e da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) do Estado, a UBES vem a público repudiar a ação contra os manifestantes na noite de segunda-feira (15), que de maneira arbitrária prendeu 31 pessoas, e principalmente a ausência de diálogo por parte do Governo do Estado de Goiás.

 

Obs.: Mariana* é uma estudante de Goiás que sofreu ameaças e para sua segurança teve o sobrenome preservado.