Estudantes das 16 escolas ocupadas no Mato Grosso realizam ato na capital contra privatização e pela CPI da Educação

Em caravanas, secundaristas foram à Cuiabá cobrar respostas do governador, Pedro Taques

Nesta terça-feira (31), estudantes das 16 escolas ocupadas no estado mato-grossense desembarcaram em Cuiabá em manifestação que reuniu professores e secundaristas nas ruas em defesa da educação pública e de qualidade. Caravanas de diversas cidades da capital e do interior chegaram à capital no início da tarde, de onde partiu a passeata rumo ao Centro Político do Mato Grosso.

Amanda Maria, 16, de Várzea Grande, veio em um ônibus repleto de estudantes de municípios vizinhos que ocupam e prestam apoio à luta estudantil. “Sinto a responsabilidade de participar das ocupações e representar a minha escola, e durante o ato, vimos a unificação com os professores e funcionários. Hoje, temos voz ativa nas ocupações, é um direito nosso de reivindicar”, declarou.

A passeata relembrou as principais lutas das escolas públicas ocupadas em impedir a proposta do governo de entregar 76 escolas estaduais à iniciativa privada, por meio de parceria público-privada (PPP). Os secundaristas também reivindicam a abertura de uma CPI da Educação que investigue escândalo de desvio de R$ 11 milhões e superfaturamento na compra de merenda e o caso de envolvimento da Secretaria de Educação em esquema de propina que, segundo a “Operação Rêmora”, há indícios de desvios de R$ 56 milhões na realização de obras de reforma e construção de escolas.

“Queremos uma audiência pública com o governador. A cada escândalo troca um secretário da Secretaria para abafar, mas não vamos retroceder, até que as lideranças das ocupações recebam respostas à suas pautas”, declara o presidente Associação Mato-grossense dos Estudantes (AME), Juarez França.

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APOIE UMA OCUPAÇÃO

Nesta sexta-feira (3), aconteceu na estadual Elmaz Gattaz, a primeira reunião do Comitê Estudantil das ocupações. Já está confirmada a presença de dois representantes de cada escola ocupada. Segundo a AME, há mais de mil jovens nas ocupações. Dando início à campanha de arrecadação de alimentos e doações, a entidade que acompanha colégios em todo estado, pede solidariedade às comunidades vizinhas para que doem mantimentos.