“Enquanto os golpistas dizem que não sabemos o que é PEC, nós organizamos Encontro de Grêmios para discutir o assunto”

Diretor de Grêmios da UBES fala sobre evento secundarista que acontece em janeiro; primeiro lote das inscrições encerra na próxima terça-feira (15)

Em meio à explosão da luta secundarista que ocupa escolas em todo o Brasil, a UBES se prepara para realizar em Fortaleza (CE), entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro, o 3º Encontro Nacional de Grêmios.

PARTICIPE DO ENCONTRO DE GRÊMIOS

A perspectiva é que mais de 2.000 lideranças de todo o país estejam no evento que também terá em sua programação o 1º Encontro LGBT da UBES. Para participar é necessário se inscrever por meio do sistema de credenciamento. Acesse aqui.

Para aqueles que efetuarem o pagamento da taxa de inscrição até dia 15 de novembro, o valor será de R$ 50,00. De 16 de novembro a 15 de janeiro, os estudantes irão pagar R$ 70,00. Posteriormente, o preço será de R$ 100,00. O cadastro irá assegurar aos secundaristas devidamente identificados alojamento e alimentação, que será organizada através da retirada de tickets, durante todos os dias de atividades.

Em entrevista ao site da UBES, o diretor de Grêmios da entidade, o secundarista Danilo Ramos, conta sobre a contribuição do evento no  momento de tamanha luta e resistência, que representam as ocupações pelo país. Confira na íntegra:

UBES: Cada vez mais os estudantes querem participar da construção de uma escola nova. Na sua opinião, qual a importância do grêmio estudantil para avançar nesse desafio?

DANILO RAMOS: “Historicamente, o grêmio estudantil é um instrumento que sempre esteve ligado às transformações que ocorrem dentro da escola, é o reflexo do sentimento dos estudantes por uma Nova Escola. A expectativa dos secundaristas é que a educação vá além dos muros, cadeiras enfileiradas e um monte de disciplinas, quebrando paradigmas. O grêmio é o canalizador dessa insatisfação, é por isso que o movimento estudantil brasileiro tem uma importante tarefa nesse período sombrio da conjuntura nacional de proteger a Lei do Grêmio Livre (7.398/1985). Lutar e ocupar será sempre um direito, e a Lei do Grêmio Livre é importante por isso.

U: Nesse cenário nacional de ocupações, qual papel o Encontro de Grêmios da UBES cumpre para organização secundarista?

DR: Eu ouso dizer que este será o maior Encontro Nacional de Grêmios que a UBES já realizou, a juventude no país quer debater política e nesse espaço vamos reunir toda essa insatisfação, os anseios, a vontade de construir uma nova escola, sem tabus. É nesse espaço que vamos discutir o cenário nacional das ocupações, unificando o debate sobre a insatisfação com a Medida Provisória de Reformulação do Ensino Médio e PEC 55.

É justamente a área da educação que perderá muito e o governo golpista ainda tenta usar o Exame Nacional do Ensino Médio – o maior instrumento de democratização do acesso ao ensino superior da história do país -, na tentativa de pressionar os estudantes para desmobilizar as ocupações. Vamos sair deste encontro com muita unidade no movimento estudantil.

U: Em novembro, a Primavera Secundarista completa um ano, mostrando que a luta secundarista é também por uma educação que dialogue com a realidade dos estudantes. Nesse sentido, como o Encontro de Grêmios dará espaço para essas pautas?

DR: O Grêmio Estudantil é um espaço em que cabe todas as pautas. Quando se trata de estudante, há muito o que debater e construir, pois, é um conjunto de fatores que mexem com a vida do jovem estudante. A Primavera Secundarista é justamente o resultado de um descontentamento geral, o recado do movimento é claro: mudanças estruturantes e contra a imposição de uma reforma do ensino médio que desafia o papel histórico da juventude nesse país.

Os secundaristas sempre foram a linha de frente contra as opressões, como comprova o assassinato de Edson Luiz nos anos de chumbo. Nunca nos calaremos. Então, o Encontro de Grêmios enquanto espaço que agrega a diversidade, vai debater todas as pautas, teremos discussões temáticas, convidaremos especialistas que nos ajudarão a esclarecer temas espinhosos como a PEC 55 e a MP da reforma.

Enquanto os golpistas dizem que nós estudantes não sabemos o que é PEC, nós fazemos Encontro de Grêmios para reunir economistas, movimentos sociais, entidades que possam discutir o assunto, nortear a resistência política da UBES para o próximo ano frente aos retrocessos do governo.

O nosso debate e a nossa resistência em cada escola do país será através dos Grêmios, que estão mais perto da dura realidade do estudante brasileiro. Por isso, o Encontro conseguirá, com a participação de todos, reunir todos esses anseios em um só lugar e canalizá-los em uma luta conjunta.