Em São Paulo, professores e estudantes se reúnem contra MP de reforma do ensino médio

Organizado pela Apeoesp e pelo CNTE, o encontro debateu o quadro da educação no Brasil e reforçou mobilizações para o dia 5 de outubro

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) organizaram nessa sexta-feira (30), uma conferência para pautar a autoritária medida provisória de reformulação do ensino médio, imposta pelo governo golpista de Michel Temer.

Professores, trabalhadores, além do movimento estudantil, integraram o debate que teve início às 14h, no Club Homs, localizado na Avenida Paulista, na região sul da cidade de São Paulo. O encontro foi transmitido ao vivo pelas redes sociais.

A presidenta da UBES, Camila Lanes, esteve presente no evento e pontuou os assuntos pautados: “Nós tratamos, por exemplo, da balela do ensino integral no ensino médio, que irá atacar principalmente a vida dos estudantes que são trabalhadores. Outra coisa colocada foi o notório saber, que é algo que pode ameaçar muito a educação, já que qualquer pessoa poderá ministrar aulas, não será exigido formação ou especialização”, esclareceu.

Os convidados ressaltaram a falta de diálogo por parte de Temer ao impor o projeto e afirmaram que a proposta não alavanca nenhum tipo de avanço ao ensino brasileiro.

A presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo, enfatizou que a MP ataca diretamente o Plano Nacional da Educação (PNE).  “Eu chamo atenção para essa reforma, primeiro pelo método. Uma mudança dessa envergadura, via medida provisória, é desrespeitar a luta de todos os envolvidos na educação, de tudo o que foi debatido nas CONAEs (Conferência Nacional da Educação) para elaborarmos um Plano Nacional de Educação”, explicou.

Ela relembrou ainda, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 e o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que congelam os investimentos do governo em áreas sociais por 20 anos, passando a destinar as verbas para o pagamento da dívida pública, ação que afeta diretamente o setor do ensino.

O presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Santos,que esteve presente no evento, reforçou a luta estudantil contra a proposta de Temer. “Da última vez que tentaram impor uma medida que não nasceu do debate da sala de aula, aqui em São Paulo, os secundaristas impuseram uma grande derrota ao Governo do Estado. Agora chegou a vez de ocupar pelo direito de pensar. Agora é ocupar contra o golpe no ensino médio! “, convocou.

Ao final de seu pronunciamento, a presidenta da Apeoesp utilizou de seu espaço para reforçar a Paralisação Nacional, que acontecerá no dia 5 de outubro, em Brasília, e irá reunir profissionais do ensino e o movimento estudantil para lutar pela educação.