Dia da mulher traz luta feminista para as ruas

Estudantes mulheres mostram preocupação com representatividade feminina e defesa dos seus direitos

Esse foi o primeiro 8 de Março depois da Primavera Feminista, a série de protestos realizados em 2015 que intensificaram a luta das mulheres em defesa de direitos e contra a violência.

A diferença foi uma passeata com mais gente, mais pautas e mais luta. Um monte de garotas foram ao seu primeiro Dia Internacional das Mulheres e engrossaram a já tradicional manifestação da Avenida Paulista, em São Paulo.

A marcha se concentrou no vão livre do Masp, seguiu pela rua Augusta até chegar na Praça da República, com um ato em frente à Secretaria da Educação.

Sem título2

Durante todo o trajeto, as mulheres celebraram. Teve muita música de protesto puxada pelas baterias feministas, intervenções artísticas, teatrais, picho em muros, stencil, cartazes, flores, purpurina, irreverência e muita alegria para tratar de temas sérios.

A presidenta da UBES, Camila Lanes, lembrou do significado do dia 8 de março, dia de resistência. “O dia não se resume em flores, para nós é dia de resistência! Nós, que ocupamos as ruas na Primavera Feminista, permaneceremos em luta por mais participação das mulheres, pela legalização do aborto, mais democracia, contra o machismo e toda forma de opressão”, falou a secundarista.

“Eu e milhares de mulheres estamos aqui protestando por mais direitos, igualdade entre homens e mulheres e para influenciar na política brasileira. As mulheres ainda ocupam poucos espaços de poder e por isso que hoje o principal articulador do golpe em curso no Brasil é o Eduardo Cunha, o mesmo articulador político dos retrocessos contra as mulheres, contra os direitos reprodutivos, contra os nossos direitos. Dizemos em alto e bom som, as mulheres unidas, fora Cunha! E leve seu golpismo e o retrocesso junto”, afirmou Carina Vitral, presidenta da UNE.

jovens-768x507

Maria das Neves, diretora da UBM (União Brasileira de Mulheres) e ex-diretora da UNE, explicou que o Ato foi construído de forma unificada entre entidades de mulheres com pautas e reivindicações que envolvem a vida e os direitos de todas. “Estamos em defesa de mais ações contra a violência, pela legalidade do aborto, contra a reforma da previdência, os desvios da merenda e os fechamentos de salas de aula, que afetam famílias, e sobretudo, em defesa da democracia, que é como conseguir avançar em direitos e florescer a luta feminista”.

Para Flavia Oliveira, presidenta da UEE-SP, a luta está avançando. “Estamos em um momento em que a mulher é protagonista da sua vida. Não nos calam mais. Hoje mostramos que mesmo com as diferenças ainda existentes , estamos na luta, para protagonizar nossas escolhas e decisões”, acrescentou.

MAIS UMA MULHER SE LEVANTA

Sindicalistas, militantes de coletivos feministas, de negras, defensoras do meio-ambiente, ciclistas, de terceira idade, mulheres da periferia, deficientes físicas, e principalmente jovens estudantes. Em 2016, o ato do “8 de Março” teve como marca a presença de mulheres jovens participando pela primeira vez da marcha.

As secundaristas Cecília Godói, 14, e a colega Luiza Bistane, 15, contaram com entusiasmo como é participar pela primeira vez de uma passeata que comemora o Dia Internacional de Lutas das Mulheres.

“É incrível ver as mulheres comandando o carro de som, um exemplo para essa nova geração de feministas que estão nascendo. Vou aproveitar essa experiência incrível, esse será o tema do meu trabalho de inglês”, comenta Luiza.

A estudante de medicina, Bianca Aetieri, 18, passou a ler sobre o feminismo em páginas das redes sociais, iniciou as leituras sobre o feminismo nas redes sociais, passando a ter contato e entender fatos que aconteciam diariamente e entender que opressões não são normais. “Estou pela primeira vez no ato e minha impressão é que esse é um espaço para dar mais voz ao feminismo”.

Sem título

O feminismo negro também foi bastante lembrado durante a marcha. As estudantes Thaina Frutuoso , 18, e Ana Beatriz Pereira, 18, tiveram o primeiro contato com o feminismo quando assumiram o cabelo. O belo black de Thaina e as tranças afro de Ana não foram simples escolhas estéticas: foram um processo de reverenciar e defender suas raízes.

“Nós somos protagonistas dessa luta. É o nosso espaço, ninguém mais pode fazer por nós. O feminismo negro é uma luta muito mais intensa, uma vez que lidamos com menos direitos, em diversas áreas.”

Fotos: Débora Neves
Texto: Sara Puerta e Cristiane Tada