DIA 18: A força do movimento estudantil pela democracia

Presidentas das entidades mostram que a resistência ao golpe está firmada

São quase seis anos em que todas as entidades estudantis são presididas e dirigidas- em maioria – por mulheres, e há um consenso de que apenas na democracia mulheres avançam em seus direitos e ficam à frente de organizações. Democracia tem pluralidade de vozes !

Portanto, nesse histórico 18 de março, as entidades estudantis UBES, UPES, UNE, UEE-SP e ANPG estiveram na Avenida Paulista, construindo um dos maiores atos já vistos na cidade.

FORÇA SECUNDARISTA

A primavera secundarista se estende em defesa da democracia nesse ano. Para Angela Meyer, presidenta da UPES, dessa vez os jovens estudantes se unem aos trabalhadores na luta pela democracia e pelos avanços no direitos, incluindo a educação de qualidade.

“Não há como ficar parado diante de um levante conservador e golpista como temos visto nos últimos tempos. A juventude e o secundaristas mostram agora sua força também pela luta em favor da democracia”.

Camila Lanes, presidenta da UBES, protesta também pela seletividade da Polícia Militar e as arbitrariedades da mídia. “Secundaristas foram durante reprimidos nas manifestações contra o fechamento das escolas , e nesses dias a Avenida Paulista fica fechada por mais de 36 horas por manifestantes da direita, sem qualquer reação da polícia. Somos perseguidos e tentam calar os movimentos sociais, por isso a juventude vai lutar contra o golpe!”.

Flavia Oliveira, à frente da UEE- SP desde o ano passado, reconhece que um ato dessa proporção em São Paulo – com mais de 500 mil pessoas – é muito simbólico, uma vez que é um estado bastante conservador. “Nós, paulistas, sabemos bem o que o governo tucano faz no nosso estado. Um exemplo disso é que nas universidades estaduais não existem cotas para o acesso como existem nas instituições federais, ou ainda o sigilo nos dados da Polícia Militar, que só esconde a violência contra o povo preto da periferia, por isso sabemos que a democracia deve ser defendida com toda nossa força e nossas vidas.”

Carina Vitral enfatizou o posicionamento dos estudantes e da juventude no atual momento.

“Eu desafio o Datafolha a fazer uma pesquisa sobre a faixa etária presente aqui no ato, porque muito se pergunta ‘onde estão os estudantes que não comparecem nas manifestações?’ . Eu respondo: Estamos aqui, hoje, nesse ato, desse lado, porque não marchamos com golpistas, conservadores e fascistas. Queremos saber de quem se interessa pelo nosso futuro, que pensa em políticas para educação”.

Para Tamara Naiz, presidenta da Associação Nacional dos Pós-Graduandos, os avanços dos últimos anos não podem parar nesse momento e devem ir adiante. “Para obter avanços para qualquer direito, incluindo os de pós-graduandos, precisamos de um ambiente democrático, e estável politicamente e é por isso que como representação estudantil, a ANPG se coloca em luta totalmente”.

Sara Puerta, da UEE-SP.