De Junho de 2013 à Primavera Secundarista: três anos de luta

Secundaristas contam como as manifestações protagonizadas pela juventude fizeram das ruas um espaço impulsionador das conquistas

Há três anos, a sede de ocupar as ruas movimentava manifestações de norte a sul do país. A juventude, como um furacão organizado para construir mudanças em suas cidades, fundamentou mais um marco histórico na democracia brasileira: as Jornadas de Junho de 2013.

“Há 3 anos, o ‘bum’ das mobilizações de rua aconteceu, levando todo o país a ocupar seu espaço. Eu tinha 16 anos na época e morava em Curitiba, me lembro nitidamente como foi participar pela primeira vez de uma manifestação com mais de 60 mil pessoas. Os 20 centavos foi a ponta do iceberg”, relembra Camila Lanes, presidenta da UBES.

Ao lado de Camila, centenas de secundaristas iniciavam um novo período de lutas por todo Brasil contra o aumento das tarifas, carregando como bandeiras centrais a pressão por mais direitos, voz e representatividade.

A capixava Fabrícia Barbosa, diretora de Escolas Públicas da UBES, conta que foi nas Jornadas de Junho  que ocupou as ruas pela primeira vez. Na 7ª série, segurando o cartaz ‘A rua é a maior arquibancada do Brasil’, ela iniciou suas atividades no movimento estudantil. “Foi quando conheci a UBES. Percebi que política e movimento estudantil eram lutas conjuntas”, declarou a jovem que hoje compõe a União Estadual dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo (UESES).

Em Pernambuco, os jovens tomaram as ruas, como conta o diretor Relações Internacionais, Jairo Marques. Na época, na presidência do grêmio estudantil e na diretoria da União Metropolitana dos Estudantes de Recife (UMES), ele afirma que o período marcou o ápice da vontade de transformação. “Foi quando a juventude ousou mais, com mobilizações mais massivas da nossa geração que consolidaram importantes bandeiras como o Plano Nacional de Educação (PNE), diversas cidades que aprovaram o passe livre”, relembrou Jairo. – esse trecho ficou perdido

O calendário das manifestações que aconteciam simultaneamente de norte a sul resultaram em mudanças radicais.

“Se acendia mobilizações por mudanças, vimos o poder político que a juventude conseguia se organizar para dizer que estava insatisfeita com os governos neoliberais, assim como é a Primavera Secundaristas”, destaca o diretor de Políticas Educacionais da UBES, Guilherme Barbosa, que na época, com apenas 14, ingressava nas lutas estudantis ao se somar a centenas de jovens que protestavam contra o descaso das políticas estaduais, no Tocantins.

O DESFECHO DA PRIMAVERA SECUNDARISTA

Em São Paulo, onde, já há 3 anos, a face da polícia militarizada se mostrou em diversos casos de abuso de poder, prisões arbitrárias, truculência e violência, acentuou-se a resistência secundarista.

O 1º tesoureiro da UBES, Marcos Kaue, também relembra a trajetória rumo à Primavera Secundarista que emergiu organizada nas escolas paulistas em 2015. “Em 2013 não era só 20 centavos, na verdade, foi só o estopim dos atos que começaram pela condução. A insatisfação das políticas públicas levou para a agenda pública,era o marco da nossa indignação por mudanças. Naquela época, não esperávamos ocupar mais de 200 escolas em São Paulo, derrubar o projeto de reorganização escolar imposto pelo governador e conquistar o passe livre estudantil”, comentou. -rever esse trecho, não está legal.