Da ALESP para as escolas de todo estado: ocupações continuam

A decisão de desocupar foi tomada em assembleia realizada na manhã desta sexta-feira e levou em conta multa exorbitante imposta pela Justiça

Após três dias ocupando o plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, com rosas brancas nas mãos e incessantes palavras de ordem, os estudantes finalizaram a ocupação. A decisão foi tomada no início da tarde desta sexta-feira (6), para evitar a multa absurda imposta pela Justiça aos estudantes.
Emocionados, os jovens foram recebidos do lado de Assembleia com salva de palmas dos demais estudantes que ocupavam a entrada externa da Casa, trabalhadores e simpatizantes da luta estudantil pela abertura da CPI da Merenda.

O presidente do UPES, Emerson Santos, conhecido como Catatau, explica a decisão. “A gente tomou essa decisão de mudar a nossa tática da luta pela CPI da merenda porque não podemos punir nossas famílias. O fato de não sairmos daqui gera uma multa de 30 mil reais por dia. Isso é colocar nossos pais para pagar algo que não deve ser pago. Não devemos sacrificar nossas famílias que estão nos apoiando, por isso a decisão da saída. Não estamos pensando apenas na nossa luta, mas na luta por uma sociedade mais justa para todos”, disse.

A LUTA CONTINUA

A presidenta da UBES, Camila Lanes, que permaneceu as últimas 72 horas dentro da ocupação, afirmou que este é apenas o primeiro passo para o próximo período. Escolas técnicas e estaduais já iniciam ocupações pelo estado, como a ETESP e a E.E. Diadema.

“Desocupamos, mas a luta não para, a luta continua. Permanecemos na caça dos ladrões da merenda, a CPI vai acontecer e a mobilização será mais intensa. E se um desfecho demorar, voltaremos a ocupar a Assembleia”, disse Camila, agradecendo o apoio que a ocupação recebeu. “Esse foi só o primeiro passo para conseguir concretizar a punição e prisão daqueles que roubam da merenda. Isso não vai ficar quieto”, declarou.

Mãe de estudante e presidenta da União Brasileira de Mulheres em São Paulo (UBM), Claúdia Rodrigues conta como foi fazer a comida chegar até os estudantes nesses dias.
“Eu consegui entrar no plenário, levar a alimentação, medicação e itens de higiene, fazendo a ponte do que acontecia dentro e fora da ocupação. É uma luta justa, e a sensação é que seguirão fortes conduzindo rumo à instalação da CPI e a merenda volte à ir para as escolas. Inclusive, muitas mulheres que trabalham na limpeza da Assembleia vinham dizer que de fato, na escola dos fihos dele esse é um problema real, vimos então que o apoio é grande”, explicou Claúdia.

Os deputados também recepcionarm os estudantes na saída do plenário. A deputada estadual Leci Brandão (PcdoB) que durante toda a ocupação prestou apoio aos estudantes afirmou que mesmo com a saída, o movimento estudantil segue vitorioso. “Estamos de de peito aberto e com a consciência ampla em relação ao movimento estudantil, até porque é uma luta que a gente acompanhou ao longo da vida, a gente sempre esteve a favor dessa juventude que tem uma consciência política, que tem garra, ousadia e tem coragem de lutar pela democracia é por isso que eu quero parabenizar todos os estudantes. Essa já é uma vitória”, falou.

PRÓXIMOS PASSOS

Democraticamente, por meio de jogral, os estudantes realizaram a leitura da “Carta aberta dos estudantes ao povo paulista”, documento elaborado pelos ocupantes e que apresenta os próximos passos do movimento.
Em trecho, os secundaristas afirmam: “Seguiremos em luta intensa pela abertura da CPI, pela punição dos ladrões de merenda e pela escola dos nossos sonhos”. Acesse aqui o documento na íntegra e saiba mais.

Texto: Suevelin Cinti e Vinícius Mendes
Foto: Yuri Salvador.