CPI da Merenda Já! Estudantes fazem blitz na Assembleia Legislativa de São Paulo

Policia agrediu e tentou impedir participar dos estudantes no plenário

Os estudantes de São Paulo iniciaram uma verdadeira caçada aos ladrões da merenda escolar. Nesta terça-feira (23), secundaristas, pais, professores e movimentos sociais participantes da Frente Brasil Popular realizaram Blitz na Assembleia Legislativa para pressionar os deputados a aprovarem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de desvio de verbas da merenda escolar da rede estadual de ensino.

As denúncias de pagamento de propinas a gestores do governo paulista para fechamento de contratos com creches e escolas públicas de 19 cidades estão sendo investigadas pela Operação Alba Branca, deflagrada no último dia 19. As irregularidades estariam ocorrendo há pelo menos dois anos, com indícios de que o presidente da Assembleia, o deputado Fernando Capez (PSDB), seja um dos protagonistas do esquema a ser investigado.

O movimento dos estudantes foi reprimido pela polícia militar que tentou impedir a entrada dos manifestantes no plenário. “Quando nos barraram, os policiais afirmaram que não havia lugares, mas após muita repressão, agressão e violência – inclusive me derrubaram no chão, fomos apoiados pelos deputados estaduais que interviram e alegaram que havia mais de 40 lugares desocupados. Só depois de tudo isso conseguimos entrar e acompanhar a audiência”, conta o diretor da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Igor Gonçalves.

A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Izabel Noronha, também se posicionou. “Vamos fazer pressão para que aconteça uma audiência pública, debater junto com os movimentos sociais a instalação de uma CPI para investigar e analisar a qualidade da merenda”, disse.

Comandando em todo o estado um amplo movimento de pressão ao governador Geraldo Alckmin, a presidenta da UPES, Angela Meyer, ressalta a importância de aumentar a pressão aos deputados e ao governo.

“Temos 23 assinaturas, faltam 9 para a instalação da CPI. Voltaremos semana que vem para fazer pressão até conseguir investigar o desvio da merenda em São Paulo. Na volta às aulas queremos saber onde está a merenda, por isso nos organizamos, continuaremos paralisando nossas escolas e conscientizando a população de que o presidente da ALESP não teve coragem de vir hoje pois está desviando merenda dos secundaristas”, expõe.

O movimento estudantil já convocou para esta quinta-feira (25) uma Assembleia Geral dos Estudantes com o objetivo de discutir e construir uma nova agenda de mobilização parta reverter o quadro de sucateamento da educação paulista. Em meio à luta da merenda, o evento colocará em destaque o problema da superlotação das salas de aula, o fechamento de classes e o projeto de reorganização escolar.

Acesse o evento e saiba mais.