Contra retrocessos, 50 mil tomam as ruas de SP e anunciam greve geral

Marcha organizada pelas centrais sindicais, trabalhadores, professores e estudantes protestou contra a retirada de direitos imposta pelo governo golpista de Michel Temer

No final da tarde desta quinta-feira (22), a Avenida Paulista, no coração de São Paulo, foi tomada por cerca de 50 mil trabalhadores, professores e estudantes apoiados pelas centrais sindicais e pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além das entidades estudantis. O protesto marcou a unidade contra os retrocessos impostos pelo governo golpista de Michel Temer. A mobilização fez parte do ”Dia Nacional de Paralisação” e anunciou outra grande marcha para o próximo dia 5 de outubro, em Brasília, além do indicativo de greve geral também para o próximo mês.

Secretária Geral da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Nicole Miranda esclarece as razões que levam o movimento estudantil às manifestações populares. “Estamos nas ruas contra o corte de verbas que vem acontecendo no setor da educação. Queremos que os 75% dos royalties do petróleo sigam sendo destinados ao ensino. Essa foi uma conquista do movimento estudantil concretizada no ano de 2013 e agora, o governo Temer quer leiloar a Petrobrás, mas ela é um direito nosso! Lutamos ainda para que os 10% Produto Interno Bruto (PIB) continuem sendo aplicados ao ensino”, explicou.

Para a presidenta temporária da UNE, Moara Correia, este foi o primeiro passo rumo à greve, que tem total apoio dos estudantes. ”Nós, estudantes de todo país, estamos nas ruas juntos com os trabalhadores para dizer que não admitimos nenhuma retirada de direitos. Estamos com muitos retrocessos em vista tanto na educação como nas leis trabalhistas, na saúde e por isso precisamos de muita unidade. Hoje, mesmo muitas universidades e escolas não tiveram aula, pois os estudantes estão também na luta, paralisando e mostrando sua insatisfação com esse golpe nas nossas conquistas’’, disse.

O ato em São Paulo finalizou um dia de atividades em todo o Brasil, com a paralisação de fábricas e a tomada de ruas e praças, num claro movimento pela saída de Temer e sua política golpista.  As categorias presentes se uniram aos bancários, que estão em greve há 17 dias.

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RESISTÊNCIA

Para o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, conhecido como Índio, a resistência contra a agenda do golpe está crescendo cada vez mais. “Essa agenda do Congresso e dos empresários quer acabar com os direitos garantidos na Constituição de 1988, mas é preciso deixar claro: a classe trabalhadora não vai deixar que isso aconteça. Cada vez saímos mais fortalecidos das lutas, começou o início da queda dessa agenda golpista”, enfatizou.

O Coordenador da Frente Brasil Popular em São Paulo, Raimundo Bonfim, da CMP, destacou que as ações do atual governo atacam violentamente o povo brasileiro. ”Cada vez mais os objetivos do golpe ficam evidentes, nunca foi contra a corrupção. Temer tem vários corruptos no governo. O que querem é liquidar o pré-sal e os direitos sociais”, disse.

PROFESSORES EM LUTA

Mais cedo, professores paulistas realizaram uma assembleia no Vão Livre do Masp, também na Avenida Paulista, para exigir melhores condições de trabalho e dizer não aos retrocessos na educação com a reforma do ensino médio proposta por Temer e seu ministro da educação, Mendonça Filho.

Emerson Santos, presidente da UPES, esclareceu as consequências do plano que pretende reformular o ensino médio. “Esse projeto traz riscos à educação porque fragmenta o ensino, apresenta a possibilidade de condicionar a educação apenas de forma técnica, a partir dos cursos profissionalizantes. Esse processo acarretaria numa formação massiva de mão-de-obra barata. Dessa maneira, não vai haver algo essencial: a formação crítica dos estudantes” ,pontuou.

Eles também pretendem ampliar a adesão às mobilizações contra as propostas de congelamento nos orçamentos de saúde e educação e da reforma da Previdência.

“No próximo dia 5 vamos paralisar as escolas e vamos a Brasília, junto com as entidades nacionais de professores, contra as reformas do governo golpista”, afirmou a presidenta do Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel.

Para ela, a reforma do ensino médio representa um grave enxugamento na educação pública. “Querem acabar com as disciplinas humanas. Não querem alunos que pensem, que divirjam. Em 2000, o governo de Fernando Henrique Cardoso tentou reformar o ensino médio. E nós o impedimos com uma das maiores paralisações de professores da história. E vamos impedir de novo”, disse.

Da UNE, com edição.