Contra implementação de colégio militar secundaristas mineiros ocupam escola

Estudantes da instituição estadual serão remanejados para instituições mais distantes

Inspirados pelo movimento de ocupação das escolas públicas em São Paulo, estudantes de Minas Gerais ocuparam a Escola Estadual Profº Ricardo Souza Cruz, localizada em Belo Horizonte, na noite desta terça-feira (05/01), para protestar contra o projeto do Deputado Estadual Cabo Júlio (PMDB) que pretende tomar o prédio da instituição pública para implementar mais uma sede do Colégio Militar Tiradentes.

Os secundaristas afirmam ser contrários à iniciativa pois ela retirará vagas dos estudantes da comunidade que não terão outra instituição pública para frequentar nas proximidades, já que os colégios militares somente fornecem vagas para filhos de militares. A escola é a única da região com ensino de jovens e adultos no período da noite.

“Essa escola atende jovens de uma comunidade da região noroeste de Belo Horizonte, caso ela deixe de ser estadual para se tornar uma nova unidade do Colégio Militar Tiradentes muitos jovens da comunidade ficarão sem lugar para estudar”, explica a presidenta da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), Késsia Cristina.

No dia 4 de janeiro, a comunidade escolar da região se reuniu com a Secretaria de Educação que garantiu o não fechamento da instituição estadual. No entanto, dias depois o Colégio Militar Tiradentes divulgou editais em seu site que informava que já no ano de 2016 o Colégio teria uma nova unidade no mesmo endereço onde está localizado a E. E. Ricardo de Souza Cruz.

Os estudantes mineiros, junto à UBES e a UCMG, garantem que a ocupação permanecerá até que o projeto seja efetivamente anulado. “Permaneceremos ocupados contra o fechamento da escola e em defesa de novas instituições que proporcione um ensino de qualidade com cultura, esporte, lazer para a juventude!”, afirma Késsia.

OCUPAR E RESISTIR

Sob a palavra de ordem “ocupar e resistir”, a luta de Minas Gerais é inspirada no movimento protagonizado pioneiramente em São Paulo. Os secundaristas deram uma verdadeira aula de democracia e organizaram a ocupação de 213 escolas contra a imposição da “reorganização” do ensino paulista imposto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). O protesto histórico dos estudantes saiu vitorioso, além de impedir o fechamento de 93 escolas, desencadeou uma verdadeira “Primavera Secundarista”, que tem inspirado novas ocupações em diversos estados.