Confira o bate-papo da reportagem da UBES com a presidenta da OCLAE, Heyde Ortega

Ela falou sobre o projeto Escola Sem Partido, além do atual momento político enfrentado pelo Brasil

A jovem representa uma entidade que atravessa décadas na luta pela garantia do sistema democrático e por um ensino público de qualidade. Historicamente, a Organização Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE), ainda é reconhecida pelo combate ao imperialismo e ao neoliberalismo. A seguir, leia um pouco mais das perspectivas da presidenta da entidade:

UBES – Após a posse do governo ilegítimo de Michel Temer, tivemos o anúncio de cortes de investimento no setor da educação, além da redução (e até suspensão) de programas de bolsas de estudo voltados às pessoas de baixa renda. Como a OCLAE entende a atual situação enfrentada pelos estudantes e pela educação brasileira?

Heyde Ortega- Durante seus 50 anos de vida, a OCLAE se caracteriza pela luta em defesa dos direitos dos estudantes, assim como o movimento secundarista e universitário. Diante da conjuntura brasileira atual, algumas das medidas tomadas pelo governo golpista impactaram fortemente o setor da educação. A OCLAE oferece seu apoio e solidariedade em primeiro lugar ao Movimento Secundarista e depois às ocupações das escolas. Há uma luta que estamos travando a nível continental contra a mercantilização da educação e pela defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. A OCLAE seguirá impulsionando em todo continente a solidariedade ao movimento estudantil brasileiro e às suas lutas.

Ao movimento secundarista brasileiro, ela deixa a mensagem: “saibam que vocês não estão sozinhos! A luta que se trava aqui no Brasil, ocorre em toda a América Latina …. Contem com o apoio e a solidariedade incondicional da OCLAE!”

UBES-Como presidenta de uma entidade que tem longo histórico no combate à governos autoritários e ao neoliberalismo, como você vê o atual cenário sócio-político brasileiro?

Heyde Ortega- O cenário vivido pelo Brasil neste momento não pode ser desligado do quadro que vive a América Latina. A ofensiva do imperialismo no continente é muito forte e, sobretudo, atenta contra as conquistas que haviam sido alcançadas por determinados governos em diversos países da AL nos últimos anos. Nesse sentido, um dos setores que mais será afetado é o da educação, portanto, do ponto de vista da comunidade estudantil, esses acontecimentos são grandes retrocessos. Perante esse quadro, a opção que temos é a de nos mobilizarmos, de participarmos, organizarmos e nos articularmos mais! Não vejam a situação brasileira de maneira exilada, particular, entendam esse contexto como algo continental, enfrentado pela nossa região.

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Presidenta da OCLAE visita ocupações no Brasil

UBES- Hoje no Brasil, temos em trâmite o Projeto de Lei Escola Sem Partido, que veta o livre debate de ideias na sala de aula e pune judicialmente professores que tratam de temas como o feminismo, a homofobia e etc.  Existe ou existiu no histórico de lutas da OCLAE alguma proposta semelhante? Você acha que isso afeta a formação dos estudantes brasileiros?

Heyde Ortega- Políticas que atentam contra a educação ou contra a forma com a qual o ensino funciona existiram em países da nossa região em distintos momentos da história. Por exemplo, na década de 90, com as políticas neoliberais impostas à vários países da América Latina, um dos principais setores que se afetou foi o da educação.  A OCLAE passou a desenvolver então uma campanha, que tem sido levantada nos últimos anos, contra a mercantilização da educação e por um ensino público, gratuito e de qualidade. Ademais, esse é um direito universal e um dever do Estado. Entretanto, esse dever não pode envolver propostas que afetem diretamente o funcionamento interior das escolas e o seu exercício democrático. Políticas como essa, que tentam implementar no Brasil, vão diretamente contra a participação democrática dos estudantes, a liberdade de expressão, a luta dos movimentos sociais e de alguns setores que sempre foram reprimidos, afetados diretamente, como por exemplo, a população negra ou os LGBTs. Enfim, obviamente, há um claro interesse político por trás desse projeto e é justamente por isso que os estudantes não podem perdê-lo de vista e devem seguir exigindo que ele não seja aprovado! A OCLAE se opõe fortemente à programas como esse, que representam um golpe direto à democracia e à educação!

UBES- Qual é a mensagem que a OCLAE pode deixar aos secundaristas brasileiros que permanecem em luta nas ocupações e mobilizações por uma educação pública de qualidade e por uma escola mais diversa e democrática?

Heyde Ortega- A mensagem que nós, a Organização Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes enviamos aos brasileiros, em especial ao Movimento Secundarista, é: saibam que vocês não estão sozinhos! A luta que se trava aqui no Brasil, ocorre em toda a América Latina, seja pela educação ou pela transformação da nossa sociedade. Saibam que somos um só e que essa luta é também uma só! Contem com o apoio e a solidariedade incondicional da OCLAE!