Comitês estudantis declaram: luta não termina com votação do impeachment

Reunidos na tenda das entidades estudantis, no Ginásio Nilson Nelson, estudantes afirmam que luta pela democracia vai além da defesa contra o golpe

Barrar o golpe em curso no nosso país para que as escolas e universidades possam avançar como espaços políticos e cada vez mais democráticos. É isso que querem os estudantes dos Comitês  pela Democracia reunidos na tenda das entidades estudantis,  no Ginásio Nilson Nelson.

Foram mais de 90 comitês lançados em universidades e escolas de todo o Brasil para defender a legalidade do mandato da presidenta Dilma Rousseff. Veja aqui o comitê da Américo Brasiliense, em Santo André (SP).

O diretor de relações internacionais da UBES, Jairo Marques, falou sobre o desafio dos comitês de impulsionar os debates neste cenário político. “Tenho convicção de que vamos barrar o golpe, é a única forma de manter a democracia, manter o pobre dentro da escola, nos institutos federais e universidades. É o desafio de garantir e manter a panela cheia na casa dos trabalhadores que estão aqui, lutando junto com a gente contra o golpe”, declarou.

A  presidenta da UNE, Carina Vitral, afirmou que o movimento estudantil se fortaleceu e que isso não pode morrer. “Domingo, independente do resultado, nós precisamos transformar os nossos comitês em defesa da democracia em grandes comitês de luta em defesa da educação, em defesa de mais recursos e mais direitos. Porque nós queremos saber porque o governo escolheu seu slogan de pátria educadora, e sucessivamente corta verba da educação, isso é uma incoerência, e nós não vamos aceitar”, ressaltou.

photo495914684142168681

POR UM ENSINO DEMOCRÁTICO

A presidenta da UBES, Camila Lanes, esclareceu que vivemos hoje uma conjuntura muito diferente do que no passado, que as universidades públicas avançaram muito, mas escola pública foi esquecida no tempo.

“A estrutura ainda é a mesma e está estagnada. O que temos de diferente são os estudantes que em mais de 7 Estados ocuparam a escola contra o fechamento das escolas. Essa galera deu um exemplo de cidadania muito grande”, afirmou.

Camila sugeriu que secundaristas como os que agora que estão em luta no Rio de Janeiro sejam nosso exemplo, porque eles estão lutando não só por uma escola pública de qualidade, mas por um novo modelo de escola.

“A escola não é um ambiente fechado, uma gestão democrática inclui a inclusão da família todo no processo e nas decisões da escola e é isso que queremos”.

Cristiane Tada, com edição
Foto capa: Débora Neves / Foto 2: Bruno Bou, Cuca da UNE.