Com luta que atravessa gerações, Elefante Branco (DF) é mais uma das escolas que irá participar do 3º ENG da UBES

Fundado em 1962, o Grêmio Estudantil Honestino Guimarães foi forte símbolo de resistência no período da ditadura militar e agora encaminha-se para o 3º ENG e 1º Encontro LGBT da UBES

Com quase 60 anos de história, o Centro de Ensino Médio Elefante Branco (CEMEB), localizado no Distrito Federal, é mais uma das escolas brasileiras que se prepara para integrar o 3º Encontro Nacional de Grêmios e o 1º Encontro LGBT da UBES, que irá acontecer em Fortaleza (CE), nos dias 30 de janeiro a 1º de fevereiro.

De acordo com Marcelo Acácio, presidente do grêmio da escola, essa será a maior participação do movimento estudantil do colégio num evento da UBES. Ele esclareceu ainda, que a preparação para a ida até Fortaleza tem acontecido em conjunto com professores, estudantes e pais para que possam participar, ainda que como observadores.

“Esperamos que os grêmios de todo Brasil possam se encontrar nesse evento para construir uma nova agenda de enfrentamento ao atual período de retrocessos e traçar um novo caminho de lutas para o ano de 2017. Queremos criar novas perspectivas para a luta estudantil”, explicou.

 Grêmio Estudantil Honestino Guimarães

Historicamente polo de resistência à ditadura militar, um dos principais nomes que surgiu das salas do “Elefante Vermelho” – forma como a escola era chamada pelos órgãos do controle de repressão – foi o líder estudantil Honestino Guimarães, que iniciou sua militância no movimento secundarista. Foi neste importante centro político que o goiano se formou e fundou, em 1962, o grêmio que hoje leva seu nome.

O ex-presidente do grêmio, Weverton Santos, ressalta que o protagonismo da luta permanece. “Todas as escolas se baseavam no Elefante e ainda é assim. O Honestino foi a raiz de tudo isso, e nós, gerações futuras, sentimos o peso dessa responsabilidade”.

Foram diversos os períodos de luta enfrentados pela organização política dos estudantes secundaristas, dentre os principais, estão a campanha nacional pelas “Diretas Já” e mais atualmente, as mobilizações pelos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação.

“Agora, resistimos contra o golpe de Michel Temer, lutamos contra a PEC 55, a MP de reforma do ensino médio e a lei da mordaça. A truculência da PM nas ocupações é mais uma das bandeiras que nos mobiliza”, relembrou o atual presidente do Grêmio Estudantil, Marcelo Acácio.

Atualmente composto por estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano do ensino médio, o grêmio é formado por 11 diretores, seis mulheres e cinco homens. A vice-presidenta do grêmio, Adrielle Galdino, reforça as atividades realizadas dentro da escola durante 2016.

“Nesse ano, reforçamos o desenvolvimento de atividades culturais, já que temos muitos estudantes talentosos. Outro aspecto importante foram as lutas travadas. Ocupamos o colégio, buscamos reafirmar que todos podemos ser quem somos no espaço da escola. Acho que revivemos o legado de muita luta deixado por Honestino”, afirmou.

Desafios

Construído em 1961 como modelo para o ensino no país, o colégio foi o primeiro centro fundado em Brasília com a responsabilidade de materializar o conceito da Nova Escola – formato que prioriza o desenvolvimento intelectual e do pensamento crítico

Depois de mais de cinco décadas, a instituição que em sua fundação se assemelhava a uma universidade, com matérias optativas, cursos técnicos e laboratórios, sofre com a falta de reforma.

Segundo o presidente do grêmio, o maior problema enfrentado pelos estudantes do colégio atualmente é estrutural. “Em 2013, conquistamos a reforma do Elefante Branco, mas ela não foi consolidada até agora pelos governos que vieram, que engavetaram o pedido, não só do nosso colégio, mas também de muitas outras escolas de Brasília construídas em 1960. Hoje esses projetos já não comportam a quantidade de estudantes e não atendem as atuais necessidades da juventude”, criticou.