Colégio paulista organiza comitê em defesa da democracia

Alunos da Américo Brasiliense, em Santo André, promovem debates sobre ideais democráticos dentro e fora da escola

Os estudantes brasileiros estão cada vez mais presentes na luta contra o impeachment ilegítimo da presidenta Dilma Rousseff. Nas últimas semanas, universidades de todo o país têm formado comitês em defesa da democracia, promovendo atos, eventos e debates.

No último dia 7, a escola estadual Doutor Américo Brasiliense, de Santo André, provou mais uma vez que os secundaristas também estão mobilizados. Depois da passagem da caravana da UPES, o colégio lançou um comitê em defesa da democracia, dos avanços e direitos da educação.

Segundo a estudante do 3º ano Gabrielli Andrade da Silva, o grupo irá promover debates e atividades semanais não só sobre a atual conjuntura política do Brasil, mas também sobre a falta de democracia nas escolas. Os estudantes reivindicam o direito de se expressar e de ter voz dentro da própria escola.

“Quando falamos de democracia, os alunos pensam que vamos discutir apenas o que acontece no país, mas também queremos falar das formas de a democracia se fazer presente dentro da escola e denunciar o autoritarismo das diretorias”, ela explica.

Gabriela conta que a diretora da Américo Brasiliense proíbe os estudantes de fazer reuniões do grêmio durante os intervalos se não houver autorização prévia. “A escola é um espaço público onde a gente deveria ter o direito de se reunir quando quisesse, sem burocracia. Não temos liberdade dentro da nossa própria escola”, diz.

Sobre o cenário político do país, Gabrielli defende a união dos jovens contra o golpe e em defesa da democracia. “Muitos estudantes morreram para que a gente tivesse o direito de se expressar hoje. O golpe não vai passar, porque nós estamos bem alinhados na luta e não vamos deixar que isso aconteça.”

O comitê da Américo começou com 21 alunos, número que superou as expectativas dos criadores, e quer conscientizar cada vez mais pessoas dentro da escola. “Desde que o comitê foi lançado, conseguimos mobilizar alguns estudantes sem visão política e com muito discurso de ódio para entender que o impeachment sem crime de responsabilidade é golpe sim”, diz Gabrielli.

Vizinha da Américo, a escola estadual Professor Oscavo de Paula e Silva também já formou um comitê, e os dois colégios pretendem juntar as forças e realizar atividades juntos. Ambos têm histórico de luta pela educação, participando das ocupações contra a reorganização escolar de Geraldo Alckmin (PSDB) no ano passado.