Bolsa Atleta incentiva o desenvolvimento do esporte no Brasil

Em dez anos, o programa já contemplou 17 mil brasileiros

As Olimpíadas seguem a todo vapor. A competição que mais uma vez conquista o mundo está em sua 13ª edição e trouxe à tona o debate sobre a importância das políticas públicas voltadas para o esporte no Brasil.

Após a vitória da atleta Rafaela Silva, que garantiu a primeira medalha de ouro brasileira na categoria de judô feminino, uma extensa discussão tomou conta das redes sociais. Grupos têm se mobilizado na internet afirmando que a judoca não precisou do auxílio de políticas públicas, como bolsas de assistência ofertadas pelo governo, para atingir a primeira posição no pódio.

Nascida no Rio de Janeiro, na favela Cidade de Deus, Rafaela iniciou sua carreira aos 7 anos de idade, quando os pais a inscreveram para praticar judô no Instituto Reação, fundado pelo ex-atleta Flávio Canto. A partir daí sua história se desenrola, atravessando os Jogos Pan-Americanos, Jogos Olímpicos de Verão 2012, situações de preconceito, como os casos de racismo que enfrentou em 2012, além de LGBTfobia. Ainda que diante de tantas adversidades, ela seguiu e ao todo soma 14 medalhas: são seis de ouro, cinco de prata e três de bronze.

Mulher, negra, periférica e homossexual, Rafaela contou e conta com a intervenção estatal para obter oportunidades, chances que muitos outros jovens dos morros cariocas jamais tiveram.

Quando ganhou sua medalha de ouro nos Jogos do Rio 2016, o ex-ministro do esporte Orlando Silva enviou uma mensagem à jovem via Twitter, relembrando a importância de políticas que assegurem chances de um futuro melhor aos que sonham em se tornar atletas, mas se encontram em situação de vulnerabilidade social e econômica. “Parabéns Rafaela Silva pela bela vitória e trajetória de sucesso. Você é a prova de que o investimento social é o que pode mudar este país! ”, publicou na rede.

O PAPEL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS 

A prática de esportes é continuamente utilizada como mecanismo de recuperação, inserção social e transformação. Por muitas vezes, essa é a única porta de saída para jovens abandonados nas realidades das periferias brasileiras. Foi o caso do lutador Davi Albino, ex-morador de rua, que hoje integra a equipe de Luta Greco Romana e participou das Olimpíadas do Rio 2016.

Diante desse quadro, para garantir inclusão e transformação social, além do bom desempenho dos atletas, a assistência é imprescindível. Foi considerando isso que em 2005, o governo brasileiro criou o programa Bolsa Atleta, que visa patrocinar esportistas de alto rendimento que alcançam bons resultados em competições nacionais e internacionais. A medida se subdivide em seis classes, são elas:

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O beneficiário recebe o patrocínio público pelo período de um ano e para conquistá-lo, algumas exigências precisam ser seguidas, como a entrega de documentos que comprovem a prática do esporte e o cumprimento de pré-requisitos específicos para cada tipo de auxílio. Saiba mais aqui.

Desde o ano de 2012, a partir da Lei 12.395/11, tornou-se permitido que o candidato tenha outros financiamentos, fator que amplifica a possibilidade do praticante de se dedicar exclusivamente aos treinos de sua modalidade, viver para e pelo esporte.

Em 2015, o programa completou dez anos. Nesse período, 43 mil bolsas foram distribuídas para 17 mil brasileiros. A oferta foi fortemente ampliada, no primeiro ano apenas 975 bolsas foram concedidas.

A ginasta brasileira Flávia Saraiva é mais uma que dispõe do benefício. Ela é financiada pela Bolsa Atleta Pódio, um outro recurso criado pelo governo em 2011 que chega a entregar de R$ 5 a R$15 mil aos atletas com potencial olímpico. Para ser contemplado, o candidato precisa se encaixar em diversas condições. A ação é uma das principais do Plano Brasil Medalhas.

O QUE É  O PLANO BRASIL MEDALHAS?

Ao se tornar sede dos Jogos Olímpicos, o Brasil percebeu a necessidade de criar mecanismos que ofereçam o suporte necessário para garantir o desenvolvimento dos esportistas. Foi assim que em setembro de 2012, surgiu o Plano Brasil Medalhas, com objetivo de estabelecer o país entre os dez primeiros nas colocações dos Jogos Olímpicos 2016 e entre os cinco primeiros nos Jogos Paraolímpicos Rio 2016. O programa funciona como uma rede de apoio e incentivo a atletas.

O investimento geral do projeto se destina a contratação de técnicos e esportistas, adesão de aparelhos e custeio de viagens para a participação em outras competições. A proposta possibilita ainda, a descoberta de novos talentos e a manutenção de gastos para que possam se empenhar de modo pleno à sua modalidade. Além disso, o plano tem o intuito de oferecer mais infraestrutura de qualidade às equipes profissionais e amadoras durante os treinamentos.