Aos secundas, com carinho!

Estudantes ocupam o país em repúdio à MP de reformulação do ensino médio, Escola Sem Partido e PEC 241

Foto: The Intercept

Contra a MP que “deforma” o ensino médio, pequenos heróis tomaram conta do feed de notícias. Vídeos, danças, paródias, coragem e discursos contundentes transformaram a sala de aula em espaço de resistência máxima ao desmonte da educação e fizeram o mundo respeitar a luta dos secundas.

Desde a publicação da Medida Provisória de Reformulação do Ensino Médio (MP 746), em 22 de setembro, os estudantes comandam ocupações de escolas em todo o Brasil.

Mais de mil escolas e institutos federais ocupados

“A MP é uma ‘deformação’ interessada apenas em formar mão de obra barata e tecnicista. As ocupações denunciam a falta de democracia e o autoritarismo da MP que não condiz com o modelo de ensino médio que queremos”, explica a presidenta da UBES, Camila Lanes.

Ao propor que as disciplinas sejam agrupadas em grandes áreas do conhecimento, o ex-ministro da Educação, filósofo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine aponta para o risco da MP aumentar desigualdades. “Em muitos casos a escola vai fornecer apenas uma ou duas opções de aprofundamento, principalmente em cidades pequenas”, critica.

Os professores alertam sobre os retrocessos que a reformulação trará à carreira docente. “O notório saber mexe na Lei de Diretrizes e Bases, que diz respeito à contratação dos professores”, salienta a presidenta do Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo.

infográfico MP X Reforma UBES

CONTRA ESCOLA SEM PARTIDO

Nas ocupações, a mensagem é clara: a autonomia e a livre organização não se negociam, por isso, o movimento se posicionou contra o Projeto de Lei ultraconservador, Escola Sem Partido (PL 867), que censura e persegue a liberdade de expressão no ambiente escolar.

CONTRA A PEC DO FIM DO MUNDO

As ocupações encampam nas escolas públicas e institutos federais o enfrentamento à PEC 241 que congelará investimentos no setor nos próximos 20 anos, impedindo a implementação do PNE e a meta de atingir 10% do PIB para a educação.