A cara das ocupações: a voz de quem resiste na luta por uma educação pública de qualidade

Pai de dois filhos que frequentam a escola pública, Alex Cardoso participou da ocupação da Assembleia Legislativa no RS atento aos rumos do ensino no Estado

Na foto, sentado, Alex integra discussões junto ao movimento estudantil.  

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul foi desocupada por estudantes na última terça-feira (14/06), mas muitas escolas permanecem em estado de ocupação. Pais, professores e movimentos sociais se somam à luta estudantil.

Dentre as muitas vozes que apoiam as mobilizações está Alex Cardoso, trabalhador de uma cooperativa de reciclagem da capital gaúcha. Assim como boa parte da classe trabalhadora, ele deixou de frequentar as salas de aula muito cedo. Com seu filho Vinícius, 12, ocupou durante 27 dias o Colégio Estadual Cônego Paulo de Nadal, localizado na zona sul de Porto Alegre.

Para Alex, a necessidade de uma escola mais inclusiva e democrática, interligada ao mundo, à realidade é evidente. “É preciso constituir cidadãos mais preparados e não formar apenas profissionais para o trabalho. Para apertar parafusos, qualquer um aperta! A questão é como fazer para que esse parafuso seja funcional para a sociedade, para a humanidade e não só para o capital”, explica.

Mas o país parece caminhar no sentido contrário. Em nível nacional, secundaristas ainda travam lutas contra projetos que visam construir um ambiente escolar ainda mais segregado, pautado na discriminação, a exemplo da lei da mordaça, PL190, que visa barrar discussões sobre sexo, política e religião nas escolas, vetando assim, debates sobre questões de gênero, homofobia, feminismo e etc.

No período em que esteve no colégio do filho, Alex notou a existência de um sistema educacional que rejeita a diversidade e padroniza seres humanos, como mercadorias fabricadas ao longo das linhas de produção. “A escola não foi muito atrativa para mim porque eu já detinha conhecimento! Lá na ocupação havia conteúdos diferenciados sendo aplicados, que têm muito mais a ver com o cotidiano, a vida dos alunos”.

Para o trabalhador, é preciso aproximar o ensino nas escolas da realidade dos estudantes. “[Na ocupação] A metodologia é mais acessível, para que as crianças tenham um acompanhamento e de fato, consigam evoluir, até mesmo em conhecimentos outros, importantes, que a vida vai cobrar!”, finalizou.