100 mil tomam as ruas de São Paulo; Violência policial ataca manifestação pacífica

Depois de Michel Temer  menosprezar a força popular ao afirmar que apenas 40 foram aos protestos nas ruas, São Paulo teve a maior mobilização contra o governo golpista nesse domingo (4). Foram 100 mil nas ruas para engrossar o coro pela retirada do governo ilegítimo. Convocado pelas redes sociais, o ato foi organizado pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo e contou com a presença do movimento estudantil.

A manifestação, que se iniciou no Vão Livre do Masp às 16h30, caminhou pacificamente até o Largo da Batata. Ao final, por volta das 20h:30, quando o ato já havia se dispersado, a truculência da Polícia Militar ressurgiu: bombas de gás e jatos d´água foram utilizadas contra os manifestantes provocando confusão e correria.

Repressão aumenta

Na última segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, mais de 20 pessoas foram absolvidas e liberadas. Antes do início do protesto desse domingo (4), o grupo, que contava com menores de idade, foi detido pela PM e ficou incomunicável por até 8h.

O ex-senador Eduardo Suplicy enviou uma carta ao Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin e ao secretário de segurança Mágino Alves Barbosa Filho, cobrando repostas sobre o grupo arbitrariamente detido. “Em realidade, em nenhum momento aqueles jovens, rapazes e moças, dentre os quais alguns menores, realizaram qualquer ato de violência contra pessoas, próprios, privados ou públicos”, diz a carta. Leia o documento completo aqui.

Ainda sobre as ações hostis da PM, que reprimiram o ato em São Paulo, Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), se pronunciou em seu facebook nesse domingo (4):

A presidenta da UBES, Camila Lanes, que esteve presente no ato do dia 2 de setembro, gravou um vídeo em que denuncia as ameaças de morte que tem recebido através das redes sociais.

 

Casos de truculência da PM têm se repetido nas manifestações. Ainda na cidade de São Paulo, estilhaços de uma bomba destruíram a lente dos óculos da estudante Deborah Fabri, que acabou por perder a visão do olho esquerdo. No dia seguinte (1), o povo foi às ruas novamente e o fotojornalista Fernando Fernandes, que cobria o acontecimento, perdeu um de seus dentes quando uma bala de borracha o atingiu na boca.

O presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Santos republicou em seu perfil pessoal a seguinte mensagem sobre o ocorrido com a jovem Deborah Fabri:14218052_1067789479994861_1557972871_nEm Caxias do Sul, na serra gaúcha, o advogado Mauro Rogério da Silva Santos, de 51 anos de idade, foi espancado pela PM na mobilização do dia 31. Ele afirma que dois jovens menores de idade eram conduzidos arbitrariamente à delegacia e abordou os policiais para perguntar sobre o motivo das prisões. O advogado e seu filho, que reagiu contra as agressões, foram detidos e acusados de tentativa de homicídio. Um vídeo que mostra a confusão tem circulado pelas redes sociais.

 

Vídeo: Mídia Ninja

Em seu twitter, a cartunista Laerte Coutinho publicou uma charge em que satiriza a opressão aos protestos populares:

   

Na internet, participantes das manifestações se articulam para combater os excessos policiais:

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